Deputado nega envolvimento com traficante
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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 08 (AE) - O deputado estadual Jorge Moreira Theodoro, o Dica (PFL), de 41 anos, negou hoje envolvimento com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. "Não o conheço e o surgimento do meu nome só pode ser um equívoco", declarou o parlamentar durante coletiva na Assembléia Legislativa Fluminense (Alerj). Ele disse que atende a comunidades carentes dos bairros Parque Alegria e Beira- Mar, inclusive onde existe favela do mesmo nome, por meio da Associação Beneficente Adilson Moreira Theodoro que presta assistência média, odontológica e juridíca.
"Apesar de prestar auxílio ao bairro Beira-Mar, a associação não tem ligação com a favela, traficantes nem drogas", afirmou o deputado. Dica disse estar tentando através da bancada federal do PFL uma audiência com integrantes da CPI do Narcotráfico para colocar-se à disposição das investigações. "Quero defender-me e provar que sou inocente", destacou Dica.
Já a deputada estadual Núbia Cazzolino (PTB), que também teria o nome vinculado a Fernandinho Beira-Mar, disse aos colegas parlamentares do Colegiado e Mesa Diretora que o seu envolvimento teria sido uma denúncia de adversários políticos aos membros da CPI, durante visita ao Rio.
O Colégio de Líderes e a Mesa Diretora da Alerj solicitaram hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, à Polícia Federal e ao governo estadual cópia da documentação que envolva fatos relativos a parlamentares da Casa nas investigações sobre o narcotráfico. A decisão foi tomada, após o envolvimento de Dica.
"Até o momento a Alerj não dispõe de nenhum dado fornecido pelas autoridades competentes relacionado às denúncias de envolvimento de parlamentares da Casa", disse o presidente da Alerj, Sérgio Cabral Filho. "Hoje, conversei com o sub-relator da CPI do Narcotráfico, o deputado Wanderley Martins (PDT-RJ) e essas informações de participação de deputados estaduais ainda estão muito fragilizadas", disse.
A direção da Casa colocou à diposição dos membros da CPI o apoio das comissões Permanentes de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, presidida pelo deputado estadual do PPB José Guilherme Godinho, o Sivuca, e Prevenção ao Uso de Drogas e Dependências Químicas em geral, dirigida pelo deputado Jamil Haddad (PPS), para ajudar nas investigações. "Queremos colaborar e participar das apurações da CPI do Narcotráfico", ressaltou Cabral Filho.
A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI, afirmou ser necessário ter cuidado com denúncias que aparecem em fitas e envolvem nomes. "Elas devem ser periciadas e tratadas de forma séria". "Estamos em véspera de eleições e é preciso tomar cuidado", disse referindo-se à fita enviada à CPI que denunciaria o envolvimento de Núbia.
Polícia - O titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil, delegado Icaro Silva, começou a investigar hoje uma empresa fantasma, cujo nome não foi revelada, que seria usada por Fernandinho Beira-Mar para vender telefones celulares. A sede da empresa funcionaria na Praça Tirandentes, no centro do Rio.


