São Paulo, 15 (AE) - O deputado Geraldo Vinholi, 46 anos
cumpre uma rotina aparentemente tranquila. "Creio que o promotor está equivocado", rebate, referindo-se à denúncia que o aponta como autor da chacina. "Não matei ninguém." Ex-auxiliar de escritório na Vasp, Vinholi foi eleito com 40.348 votos, boa parte deles recebidos em sua cidade, Itápolis. Ocupou cargos de confiança nos governos Montoro, Quércia e Fleury. Foi presidente da antiga Companhia de Construções Escolares, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, do Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimento e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
À AGÊNCIA ESTADO, ele confirmou que seu cunhado, Juan Carlos Pereira, foi vítima de um furto na época da chacina. Admitiu possuir um revólver calibre 38 e que um policial militar trabalhava para ele, em seu estabelecimento comercial localizado em São Bernardo. "Ninguém citou meu nome e não fui indiciado no inquérito policial ", argumentou. "O exame de balística da minha arma deu negativo", sustentou. O promotor Nélson Gertel escreveu: "Apurou-se que indivíduos desconhecidos furtaram a residência de Juan Pereira (...) Proprietário de um estabelecimento comercial, Vinholi resolveu por conta própria investigar para descobrir a autoria do furto." Segundo o promotor, Vinholi foi à favela com os policiais em seu Dodge Dart.
A denúncia: "(...) Depois de estacionar o carro nas proximidades da favela, Vinholi entregou aos policiais dois revólveres calibre 38; Ricardo e Alcides entraram na favela. Vinholi permaneceu no veículo esperando seus cúmplices (...)". A execução: "(...) Os indiciados imobilizaram os quatro jovens e, ameaçando-os, queriam que eles confessassem o furto; as vítimas, que nada sabiam, foram obrigadas a sentar e alvejadas (...)".
Para o promotor, "ficou evidente que os denunciados tinham o objetivo comum de matar e que agiram de acordo com tal desígnio; havia entre eles idêntico vínculo intencional". O juiz Manoel Junqueira Filho classificou o crime de "bárbaro". Segundo o juiz, na noite da chacina, "Vinholi conduzia seu veículo e entregou dois revólveres aos co-réus Ricardo e Alcides
estando os três com identidade de desígnios". O juiz observou que os dois policiais confessaram o crime. Segundo Vinholi, os policiais confessaram "de tanto apanhar". A defesa dos réus alegou que os indícios de autoria eram "insuficientes".

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