Manaus, 12 (AE) - O deputado federal Silas Câmara (PTB-AM) afirma, num documento de 400 páginas encaminhado ao procurador da República Osório Barbosa, que tem dois Cadastros de Pessoa Física (CPFs). O deputado afirmou que o primeiro documento foi emitido com o atual nome. O segundo, expedido em 1997 pela Receita Federal, com o nome de Silas Duarte Câmara.
Na defesa à qual a reportagem teve acesso, Câmara afirma que o prenome Duarte foi incluído no segundo documento para consertar um erro de família, uma vez que se trata do sobrenome da mãe.
A confissão complicou a situação de Câmara, investigado pela Polícia Federal (PF) do Amazonas por falsidade ideológica, bigamia e suposto envolvimento com o tráfico de drogas.
O deputado argumentou que não houve irregularidade, uma vez que a Receita Federal cassou 49 milhões de CPFs, até mesmo o dele. A mesma versão foi dada à reportagem pelo assessor jurídico do deputado, advogado Geraldo Macena.
"Um terço da população brasileira tinha duplo CPF; então, só o do deputado é falso?", afirmou o advogado. No entendimento de Barbosa, a defesa de Câmara "é fraca e inconsistente". O procurador disse que a dupla emissão dos documentos caracteriza crime de falsidade ideológica. "O fato já foi praticado antes de a Receita Federal cassar os documentos irregulares", disse Barbosa.
Segundo as denúncias contra Câmara, que, ontem (11), chegaram a todos os deputados federais por meio da Internet, com o segundo CPF, o deputado emitiu cheques sem fundos em Macapá e também lá fundou as empresas Shequinha e Construtiva Empreendimentos. A mulher dele, Antônia Luciléia Cruz Ramos, e o cunhado Luciano da Cruz Ramos estão envolvidos no caso, uma vez que não cumpriram os direitos trabalhistas de 52 funcionários.
Em e-mail enviado à reportagem, Câmara - que anunciou uma coletiva à imprensa, mas desistiu, uma vez que a Corregedoria da Câmara Federal não se pronunciou sobre a defesa dele encaminhada também ao corregedor Severino Cavalcanti (PPB-PE) - disse que jamais teve "qualquer envolvimento com ilícitos", até mesmo pela formação religiosa.
Ele foi eleito pelos os evangélicos, mudou de partido três vezes, é presidente regional do PTB e membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Câmara Federal.

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