Deputado federal do PPB do Rio mantém declarações contra FHC
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 24 (AE) - O deputado federal Jair Bolsonaro (PPB-RJ) ratificou hoje de manhã declarações que dera ao programa "Câmera Aberta", da Rede Bandeirantes de Televisão, exibido de madrugada, em que acusara o presidente Fernando Henrique Cardoso de ser corrupto e se dissera favorável ao fechamento do Congresso. O parlamentar afirmou que o regime militar foi brando, pois "matou pouca gente", e que o Brasil estaria melhor se fossem fuzilados "30 mil corruptos, a começar pelo presidente da República". Para ele, em 20 anos de ditadura
"morreu menos gente que durante o último carnaval em São Paulo".
Capitão da reserva do Exército, Bolsonaro enfrentou processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 1992, quando também defendeu o fechamento do Congresso. Hoje, o deputado afirmou não temer ser cassado por falta de decoro parlamentar e lembrou que o artigo 53 da Constituição Federal assegura ao parlamentar imunidade pelas palavras, atos e votos.
"Se não tenho liberdade de opinião, é melhor que me cassem", afirmou. Bolsonaro declarou que o Legislativo pode ser fechado por não funcionar, pois só vota o que interessa ao governo, mas não quis apontar corruptos no Congresso.
"Você quer me deixar mal com meus colegas?", perguntou. O deputado disse ter apenas repetido na entrevista o que costuma dizer na tribuna da Câmara, onde os colegas "já estão acostumados" às opiniões dele. Em 1992, Bolsonaro foi absolvido por 29 votos a três na CCJ.
A entrevista de Bolsonaro ao programa, conduzido por Jair Marchezini, foi gravada na sexta-feira (21) e exibida hoje. Nela, o deputado disse que "o problema do Brasil é a corrupção" e criticou o deputado Mussa Demes (PFL-PI), por defender alíquota de 40% para o Imposto de Renda (IR). "Defendendo isso, ele não deve viver de salário", afirmou o pepebista. Segundo Bolsonaro, no que diz respeito à corrupção, o governo Fernando Henrique "deixa o (Fernando) Collor (ex-presidente da República, que sofreu impeachment em 1992) na poeira".
Bolsonaro acusou Fernando Henrique de estar "entregando o País" e também atacou o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, por defender o pagamento de indenizações aos familiares dos mortos no massacre do Carandiru. "José Gregori tem mais estrume na cabeça do que o Sérgio Motta (que era ministro das Comunicações e morreu em 1998) tinha na barriga", declarou o parlamentar, que integra a Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
O deputado defendeu, em tom de ironia, a nomeação de Gregori para o cargo de ministro da Defesa, cuja criação seria, na opinião dele, contra as Forças Armadas. "Como o Tony Blair (primeiro-ministro britânico) disse na cara do Fernando Henrique que os direitos humanos são mais importantes que a soberania nacional, e eles (países estrangeiros) estão de olho na Amazônia
defendo que o ministro seja o Gregori", disse.


