Rio de Janeiro - O deputado federal Valdeci de Paiva (PSL-RJ), 49 anos, foi assassinado ontem de manhã com 11 tiros de pistola, em Benfica (zona norte do Rio). Ele chegou a ser levado ao Hospital Central do Exército, no bairro, mas morreu a caminho.
A PF (Polícia Federal) e a Delegacia de Homicídios estão investigando o caso. O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, disse que a primeira impressão é a de que houve ''execução''. ''Não acreditamos na hipótese de roubo e não descartamos o crime político'', disse.
Deputados e senadores amigos de Paiva ofereceram R$ 30 mil para quem fornecer informações sobre o mandante do crime. Eles disseram acreditar que tenha havido motivação política. Paiva tinha sido eleito deputado estadual e assumiria o cargo daqui a seis dias.
''Só vejo a causa política. O deputado nunca havia recebido ameaças de morte. Após as eleições, começaram as ameaças por telefone. Diziam que ele não iria assumir'', disse o deputado federal Bispo Rodrigues (RJ), vice-presidente do PL.
Rodrigues disse suspeitar do suplente do PSL, o ex-policial militar Marcos Abrahão. O deputado estadual Eli Patrício (PFL) insinuou que o suplente teria motivo e ''estrutura'' para cometer o crime, ''por ser PM''.
Até as 19h30, a reportagem não havia conseguido ouvir Abrahão. Ele estaria em Saquarema, cidade litorânea do Estado do Rio.
O assassinato aconteceu por volta das 10h15. O deputado dirigia um Passat em direção à sede regional do PL, que costumava visitar às sextas-feiras.
Segundo o delegado Luiz Alberto de Oliveira, a cerca de 15 m da entrada da garagem um Gol cinza emparelhou com o carro do deputado. Um homem saiu do Gol e fez vários disparos. O motorista também atirou. Havia um outro carro participando da ação.
Até as 19h a polícia ainda não tinha certeza do número de tiros que atingiu o deputado. A maioria acertou o tórax, pelo menos um acertou o rosto e outro resvalou no punho esquerdo.
Um funcionário do PL assistiu à cena. Ele ouviu os disparos e foi ver o que acontecia. Disse que o motorista do Gol percebeu que estavam sendo vistos e chegou a apontar a arma para ele, que está sob a proteção da polícia e não teve o nome revelado.
Quatro câmeras faziam o monitoramento da rua duas delas da Rede Record, vizinha da sede do partido. A polícia vai verificar se alguém da Record assistiu ao crime pelo monitor. Nenhuma das câmeras grava.
O corpo do pastor foi velado na Assembléia e será enterrado hoje, às 10h, no cemitério de Inhaúma (zona norte). Era casado e deixa dois filhos.
Paiva foi eleito deputado federal pelo PSDB fluminense, em 1998. Durante o mandato, se transferiu para o PSL. Radialista e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, integrava a bancada evangélica na Câmara e era muito ligado a Bispo Rodrigues.

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