Deputado estadual paulista é acusado de comandar chacina
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Fausto Macedo e Fred Ferreira 
São Paulo, 15 (AE) - Depois da cassação do deputado Hanna Garib - personagem central de um escândalo de corrupção na Prefeitura de São Paulo -, a Assembléia Legislativa pode sofrer novo desgaste por conta de um processo que envolve o deputado Geraldo Antonio Vinholi, do PDT, membro da Comissão de Fiscalização e Controle e da Comissão de Agricultura e Pecuária. Acusado de comandar uma chacina com três mortos na zona Sul da Capital - em março de 1985 -, Vinholi está exercendo seu primeiro mandato.
O Tribunal de Justiça vai pedir autorização à Assembléia para julgá-lo. O pedido será encaminhado logo que o Supremo Tribunal Federal se manifestar sobre um recurso do deputado - um agravo regimental para tentar derrubar decisão do TJ que não admitiu andamento a um recurso extraordinário.
Os detalhes dos crimes atribuídos a Vinholi e outros dois acusados - os policiais militares Ricardo Odair Braga da Cruz e Alcides Ferreira Gomes - constam do processo criminal 159/91. Segundo denúncia do Ministério Público estadual, Vinholi praticou tríplice homicídio qualificado "por motivo torpe (vingança), mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas".
Na época, Vinholi era dono de um mercado em São Bernardo do Campo. Um cunhado dele, Juan Carlos Pereira, foi vítima de furto - ladrões arrombaram sua residência, no bairro de Cidade Leonor. Segundo a denúncia, Vinholi investigou o caso por conta própria, com a ajuda dos policiais. Na noite de 8 de março daquele ano - acusou o promotor Nélson Gertel -, os indiciados invadiram uma favela na rua Alexandre Martins Rodrigues e executaram Marcos Santos Oliveira, João Maria Barbosa Lima e Raimundo Elias da Costa Filho. Os matadores ocupavam um Dodge Dart, que seria de Vinholi. Uma quarta pessoa - Carlino do Carmo -, mesmo baleada, conseguiu escapar.
O processo contra Vinholi foi instaurado há oito anos. Até hoje, Vinholi e os outros réus não foram julgados. Recursos e apelações emperraram a ação penal. Na semana passada, a 1ª Vara do Júri da Capital enviou ao TJ a certidão número 94/99 - expedida pelo Departamento Parlamentar da Assembléia - certificando que Vinholi assumiu o mandato em 15 de março. Como deputado, ele ganhou foro privilegiado.
No Palácio Nove de Julho, muitos parlamentares sabem dessa história. A abertura de um eventual processo de cassação depende de representação de algum partido ou da Mesa. Colegas de Vinholi sustentam que a matança atribuída a ele aconteceu 14 anos antes de sua posse. O presidente da Casa, deputado Vanderlei Macris (PSDB), disse que "tem conhecimento disso por ouvir dizer". Macris ressaltou que a Assembléia "não recebeu nenhuma denúncia". Sobre a ação que aponta Vinholi como executor de três homens, Macris assegurou: "Não conheço detalhes."


