Deputado estadual do PTB diz que gravações denunciam Garotinho
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 05 (AE) - O deputado estadual Eider Dantas (PTB-RJ) afirmou hoje existirem duas fitas que, segundo ele, envolveriam o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), num esquema de pagamento de propina e obtenção irregular de fundos para caixa de campanha, na época em que era radialista em Campos (RJ) e aspirava à prefeitura do município.
Dantas afirmou que existem ainda outras 13 fitas que comprometeriam a conduta do governador. Uma das fitas, de 1995, apresenta, de acordo com o deputado, diálogo entre um assessor de Garotinho e um empresário do ramo de transportes.
"O empresário reclama com o assessor de ter de entregar todo mês R$ 10 mil a Garotinho", confirmou Dantas, que não revelou o nome dos envolvidos. "O assessor argumenta que os pagamentos acabarão tão logo Garotinho se eleja prefeito." Numa outra gravação, também de 1995, haveria, segundo Dantas, um diálogo entre Garotinho e o ex-deputado Alexandre Farah (PDT), no qual é combinado o pagamento de US$ 20 mil a um fiscal da Receita Federal.
"Era propina para liberar uma autorização para fazer sorteios em seu programa de rádio", explicou Dantas. "Desde quando um pagamento normal à Receita seria negociado em dólar?"
questionou.
Dantas iria apresentar as fitas no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em setembro, mas foi impedido por ofício expedido pela juíza Daniela Brandão Kreil, da 38.ª Vara Cível. O ofício, que pedia a busca e apreensão das gravações, foi pedido por meio de medida cautelar pelo governador.
Atualmente, as fitas estão lacradas num cofre de banco. "Eu estou impedido de divulgá-las, mas o conteúdo está vazando e eu confirmo", afirmou Dantas. Segundo ele, as fitas foram-lhe entregues por um grupo político de Campos que rompeu com Garotinho e foram gravadas entre 1995 e 1997.
Garotinho está na Argentina, participando de um seminário sobre economia fluminense. O chefe de Gabinete Civil do Estado do Rio, Jonas Lopes, respondeu hoje, em nota oficial, às acusações feitas por Dantas. "O deputado cometeu um ato de indignidade, uma vez que as fitas a que se refere foram desqualificadas como prova pela Justiça", afirmou, referindo-se à decisão da juíza de proibir a divulgação das gravações.
"Ao desrespeitar a decisão judicial e dar a sua versão do que as fitas continham, ele cometeu um crime." Lopes acusou ainda Dantas de ser um "ventríloquo" do ex-prefeito César Maia (PTB), inimigo político do governador. A Assessoria de Imprensa do governador afirmou não ter havido nenhum tipo de irregularidade na transação com a Receita Federal.


