Guarulhos, SP, 09 (AE) - O deputado estadual Elói Pietá (PT) vai sugerir a investigação das denúncias de pagamento de propina a vereadores de Guarulhos, na Grande São Paulo, por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) a ser proposta na Assembléia Legislativa, depois do recesso.
Segundo ele, há um pedido de criação de CPI de autoria dele protocolado na Casa, com número de assinaturas suficientes, que trata da participação de agentes públicos no crime organizado em várias cidades do Estado.
Na análise de Pietá, o caso de Guarulhos encaixa-se perfeitamente. Ele concluiu que o suposto esquema forma um tripé
após rever as anotações da conversa que teve com o prefeito Jovino Cândido (PV) em dezembro e assistir às fitas de vídeo divulgadas esta semana.
"Trata-se de um triângulo, com a prefeitura no topo, a maioria dos vereadores da Câmara e as empresas que prestam serviços para o município na base", explicou.
As ações caracterizariam crime organizado, na opinião dele, porque são permanentes, há citação de intermediários e tem como objetivo manter apoio político no Legislativo. "Há vereadores que estão no poder há 20 anos", disse. Segundo a denúncia do prefeito, relatada por Pietá, algumas das prestadoras de serviços fechariam contratos superfaturados para fazer o pagamento aos vereadores. O "loteamento" de cargos e secretarias entre pessoas ligadas aos parlamentares, de acordo com as denúncias, confirmaria a tese do deputado.
Na representação encaminhada por ele ao Ministério Público (MP) em maio são citados 12 vereadores de Guarulhos.
São mencionados no documento empresas de ônibus da cidade, por meio da associação que agrupava os donos das transportadoras, a Guarupas; a Quitaúna, que faz a coleta de lixo no município; a Elotec, que limpa bueiros, e as empreiteiras Paupedra, Radial e Soebe.
Pietá incluiu no caso, no depoimento à polícia prestado ontem (08), a empresa de segurança Resilar e o industrial Carlos Roberto de Campos.
Os empresários Antonio Nour, da Quitaúna, Carlos Roberto de Campos, da CRW, e o advogado da Resilar, Claudio Spolidoro, negaram participação no caso. O empresário Antonio Veronezi, do Internacional Shopping, citado na gravação por ter oferecido dinheiro em troca do habite-se do centro de compras, negou as acusações. O empresário Osias Vaz, da Guarupas, preferiu falar em juízo.

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