Deputado envia a Temer denúncias contra colega do PTB
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Kátia Brasil (especial para a AE) 
Manaus, 07 (AE) - O deputado estadual Eliúde Bacelar (PRN), do Amazonas, enviou hoje ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), documentos com denúncias contra o deputado federal Silas Câmara (PTB-AM), de eventual envolvimento com os crimes de contrabando de dólar falso, tráfico de drogas e duplos Cadastro de Pessoa Física (CPF) e identidade.
Bacelar também enviou à Mesa Diretora da Assembléia do Amazonas pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. Câmara é o primeiro deputado do Amazonas a ser denunciado depois da criação da CPI do Narcotráfico na Câmara dos Deputados.
Eleito em 1998 para Câmara Federal com votos da comunidade evangélica, pesa contra o deputado federal, que é natural do Acre, um dossiê que aponta o suposto envolvimento dele com traficante mais conhecido como "Cabo Zau".
Em 1986, Câmara teria sido preso na casa do traficante, em Manaus. A Polícia Federal (PF) do Acre também investiga denúncia de troca de US$ 1.600,00 falsos numa agência bancária de Rio Branco. O caso aconteceu há dez anos e Câmara escapou de um mandado de prisão do juiz Pedro Paulo Castelo Branco.
O deputado disse que vai aproveitar a viagem do presidente da CPI do Narcotráfico no Congresso, deputado Magno Malta (PTB-ES), a Belém para expor a ele a situação do Amazonas. Ele garantiu que os documentos que tem no dossiê contra Câmara são parte de processos movidos pela Justiça Federal. "Vou pedir ao deputado Malta que venha à Manaus ouvir o traficante Cabo Zau; aqui, tem pessoas importantes e policiais envolvidos com o narcotráfico", disse Bacelar.
"Se o Congresso quer moralidade, então, a investigação tem de chegar ao Amazonas, Estado reconhecido como uma linha do tráfico de drogas", completou.
Câmara disse que as denúncias fazem parte de "uma armadilha maligna". "Uma encenação diabólica para tumultuar meu trabalho no Congresso; mas tenho a confiança em Deus", afirmou.
Câmara negou portar documentos falsos, como o emitido em 2 de agosto de 1979 com o nome de Silas Duarte Câmara. O deputado confirmou que, em 1989, se envolveu com dólar. "Fui absolvido do caso porque recebi os dólares numa loja de auto-peças que eu tinha em Rio Branco; por que eu iria trocar os dólares no Banco do Brasil (BB) sabendo que eram falsos?", indagou.


