Deputado e pastor é indiciado por adoção ilegal no PR
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 02 (AE) - O deputado estadual do Paraná e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Edson da Silva Praczyk (PL), foi indiciado hoje pelo Delegado do Serviço de Crianças Desaparecidas de Curitiba (Sicride), Harry Herbert, por compra e registro falso de um casal de gêmeos, que teria adotado ilegalmente. Seu chefe de gabinete, Paulo Ronaldo de Andrade, também foi indiciados pelos mesmos crimes. Os pais biológicos das crianças, Natálio Firszt e Marisa de Souza Taborda de Maia, foram indiciados por venda de criança.
O inquérito será enviado para a Justiça de Campo Largo, onde moram os pais biológicos das crianças. Elas foram registradas no ano passado, alguns dias depois de nascer, no Cartório do bairro Uberaba, em Curitiba, como se fossem filhos do deputado e de sua esposa. A mãe biológica, que se disse arrependida, denunciou troca das crianças por material de construção e cestas básicas.
Nas investigações, a polícia apurou ter sido o chefe de gabinete o intermediário entre o pastor e os pais das crianças. "Ele teve participação muito importante nessa história", afirmou Herbert. "Atendendo pedido do deputado, ele localizou as crianças e providenciou tudo, inclusive a entrega de material de construção e cestas básicas." De acordo com o delegado, "ficou claro que houve troca".
O advogado René Dotti, que defende Praczyk e Andrade, negou que tenha havido troca das crianças por cestas básicas ou material de construção. Em pronunciamento na Assembléia Legislativa, logo que o caso tornou-se público, há cerca de três meses, o deputado confirmou a adoção, embora negasse a compra das crianças. Ele reconheceu ter agido de forma errada ao registrá-las como filhos sem seguir os trâmites legais de adoção.
O advogado também afirmou ontem que "a acusação de registro falso é um fato muito menor do que o gesto de fraternidade da adoção". "Se o único meio foi esse, o juiz pode entender, caso seja denunciado, que está isento de pena, é o que se chama perdão judicial", disse Dotti. Caso haja denúncia, Andrade e os pais das crianças serão julgados normalmente, enquanto o processo do deputado segue para o Tribunal de Justiça e seu julgamento fica condicionado à licença da Assembléia Legislativa. "O deputado tem interesse em responder, caso seja denunciado", disse seu advogado.


