Brasília, 26 (AE) - O deputado distrital João de Deus (PDT-DF) acusou hoje o deputado federal João Alberto Fraga Silva (PMDB-DF), conhecido como "Coronel Fraga", de fazer parte de um "grupo de extermínio" em Brasília. João de Deus enviou um dossiê com mais de 400 páginas ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, incluindo cópia de processo criminal onde Fraga é acusado de envolvimento em um crime. A assessoria de imprensa do Coronel Fraga informou que João de Deus fez a denúncia por estar com "ciúmes" das funções que o parlamentar está assumindo na Câmara dos Deputados.
O Coronel Fraga era major da PM do DF em março de 1.995, quando o assaltante Eliomar Ferreira Pinto, o Papaléguas, foi executado com 42 tiros e em seu peito estava a inscrição PM, feita a facadas. Em setembro de 1995, o Coronel Fraga foi acusado, em depoimentos à polícia, por dois soldados do serviço reservado da polícia (PM-2) de conivência com a execução de Papaléguas. Um dos soldados disse que Fraga tinha conhecimento da ação de policiais militares e o outro afirmou que Fraga teria ajudado a ocultar os nomes dos donos dos carros usados pelos assassinos.
O dossiê preparado por João de Deus traz trechos de ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal. Em um dos trechos da ação está escrito que o grupo do então major João Alberto Fraga "tudo têm feito para impedir a prosperidade das investigações". Segundo a ação, o grupo comandado por Fraga estaria "sonegando" informações e e teria realizado "contra-investigações paralelas para confundir" a polícia.
O deputado João de Deus garante que novas investigações levariam a outros crimes do coronel Fraga. O parlamentar, que diz ter recebido ameaça na Câmara Legislativa do DF, depois de denunciar ações criminosas em Brasília, afirmou que o modo de agir de Fraga é "parecido" com o do ex-deputado Hildebrando Pascoal, parlamentar do PFL que foi cassado pela Câmara dos Deputados ao admitir que deu bilhetes de salvo-conduto a traficantes de drogas no Acre.
Segundo Marcos Linhares, assessor do coronel Fraga, João de Deus está com ciúmes dos postos que Fraga está assumindo na Câmara dos Deputados, exemplo da relatoria do projeto que proíbe armas no País e o de reestruturação da segurança pública e das polícias brasileiras. João de Deus disse que foi justamente por este motivo que resolveu enviar o dossiê ao Ministério da Justiça. "Uma pessoa indiciada em um crime não pode assumir a relatoria de projetos tão importantes para o País".
Morte - Segundo a assessoria de Fraga, o parlamentar não estava em condições de falar sobre as denúncias de João de Deus. Fraga estava hoje participando do velório de seu irmão, o taxista Carlos Alberto Fraga, que foi morto por um tiro na noite de segunda-feira.
A primeira suspeita da polícia de Brasília foi de latrocínio, que é roubo ou assalto violento à mão armada. Mas os criminosos não levaram o carro, um cordão de ouro, um relógio e nem R$ 70,00 da vítima. Carlos Alberto era líder sindical dos taxistas. A polícia investiga a possibilidade de vingança.

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