Rio, 10 (AE) - O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) planeja entregar amanhã (11) à Procuradoria da República em Brasília (DF) representação pedindo a investigação da denúncia de que a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, fez pagamentos, que não tinham sido aprovados pela sua diretoria, ao Banco Opportunity. O banco, segundo a denúncia, receberá cerca de R$ 7 milhões como taxa de administração do fundo de investimentos, do qual a Previ fez parte, criado para participação no leilão da Telebrás.
O caso foi denunciado pelo diretor de Planejamento da Previ, Arlindo de Oliveira, em carta ao presidente do fundo, Luiz Tarquínio de Souza.
Oliveira informou que o pedido de auditoria interna para apurar o caso "já está sendo encaminhado". O diretor da Previ não recuou das suas intenções, apesar de o Opportunity ter afirmado, em nota, que o pagamento desta taxa é normal neste tipo de fundo de investimento.
"A colocação principal é a seguinte: teve uma decisão da diretoria, em julho, de que a condição para a Previ entrar (no fundo) seria não pagar a taxa de remuneração", afirmou o diretor da Previ. Oliveira não quis dar mais detalhes sobre a apuração do caso. "Estou conduzindo esta questão internamente"
argumentou.
Em carta ao jornal "O Estado de S.Paulo", Oliveira argumenta que a direção decidiu não pagar ao Opportunity porque esse tipo de taxa destina-se a fundos com ações sem liquidez no mercado. "Obviamente não era a característica das ações relacionadas com a antiga Telebrás", lembra o diretor.
O diretor da Previ acrescenta que o acordo de acionistas assinado pelos integrantes do fundo de investimento não confere ao fundo de pensão do Banco do Brasil "um poder decisório, na empresa, proporcional ao capital investido direta e indiretamente". Para Oliveira, os fatos "vão de encontro ao que foi decidido pela diretoria executiva".
Berzoini pediu para seu advogado pesquisar dados e documentos que estabeleçam vínculos entre este fato e os indícios de favorecimento ao Opportunity na privatização da Telebrás, revelados por conversas telêfônicas grampeadas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A suspeita de favorecimento já é apurada pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

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