Brasília, 31 (AE) - O deputado Pedro Celso (PT-DF) qualificou há pouco como "uma jogada de marketing" o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), anunciado hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "O PPA é uma belíssima carta de intenções, mas não é uma proposta séria e não vai mudar nada", afirmou o deputado, lembrando que o plano não obriga o governo a aplicar o orçamento previsto e a cumprir as metas propostas. Celso disse que o governo tem instrumentos para tocar as políticas públicas na área social, mas que essa não tem sido uma prioridade do governo. Ele apresentou dados de um levantamento feito pelo Instituto de Estudos Sócioeconômicos (Inesc), mostrando que, na execução orçamentária de janeiro até 9 de julho, os gastos com investimentos foram de R$ 738 milhões - 8,45% do total de R$ 8,73 bilhões previsto no Orçamento da União para este ano. No mesmo período, os gastos com juros e encargos da dívida pública atingiram R$ 28,57 bilhões, o que corresponde a 56,4% do previsto no Orçamento. Celso citou como exemplo os investimentos nas áreas de eletrificação rural, defesa dos direitos da criança e do adolescente, aquisição de veículos escolares, infra-estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), Programas Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e de Desenvolvimento Urbano (Prourb), melhoria das condições habitacionais urbanas e rurais, erradicação da dengue e controle da doença de Chagas que, segundo o levantamento do Inesc, não receberam nada neste ano, até 9 de julho, embora haja para elas uma dotação de R$ 1,2 bilhão. Em contraposição, como lembrou o deputado, o Projeto Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) recebeu 37,7% da dotação orçamentária aprovada para este ano ao programa. "Isso mostra que, quando o presidente tem interesse em executar, executa", afirmou. Segundo o deputado, os compromissos do País com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não deixarão o presidente executar o PPA. "O superávit comprometido com o FMI está sendo tirado da população", criticou Celso.

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