Macapá, AP, 05 (AE) - O presidente da Assembléia Legislativa do Amapá, Fran Júnior (PMDB), é refém do narcotráfico e não tem mais como sair do esquema. Esta foi a conclusão a que chegou o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), após o depoimento de Fran Júnior à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, hoje à noite, em Macapá. "A impressão que me dá é que ele está envolvido até a alma; pode até querer falar, mas, se falar, morre", disse Matos. "Ele fez um pacto com o diabo", acrescentou.
A CPI recebeu denúncia de um piloto - que não foi identificado - dando conta de que Fran Júnior possui dois aviões
um monomotor e um bimotor, que são usados para o tráfico de drogas. De acordo com a denúncia, o piloto teria recebido uma proposta do deputado e de um piloto chamado "Carlão" para trabalhar para o tráfico. A proposta foi recusada e, agora, ele teme morrer. "Não tentem me procurar, pois, se souberem que estou denunciando, estará assinado meu atestado de óbito", diz o denunciante, na carta enviada à CPI. Matos disse que a carta não está assinada e foi entregue à CPI por um garoto de 9 anos, que disse ter recebido 1 real para entregar aquele envelope aos membros da comissão.
Fran Júnior negou que tenha ou teve aviões. "Nunca tive avião; já tive ultraleve", declarou o deputado. Mas confirmou que, numa propriedade que possui, mandou construir uma pista de pouso sem autorização do Departamento de Aviação Civil (DAC). A pista, segundo Fran Júnior, possui 350 metros. Perguntado sobre qual o tamanho ideal para uma pista de ultraleve, o deputado disse que em torno de 150 metros. Um dos integrantes da comissão quis saber porque então Fran Júnior construiu uma pista muito maior que a que necessitaria para o ultraleve. Fran Júnior não titubeou: "Costumo alugar aviões pequenos para ir passar o fim de semana em minha propriedade."
O presidente da Assembléia admitiu conhecer e ter frequentado a casa do empresário Silvio Assis, acusado de ser o maior traficante do Amapá. Ele disse também que há muito tempo ouve falar que o empresário está envolvido com o tráfico, mas nunca ninguém provou. Admitiu que "Carlão" trabalhou para ele como piloto, mas falou que não tem a mínima idéia de quem enviou a carta à CPI.
Sobre as propinas que seriam dadas aos deputados pelo ex-presidente Júlio Miranda e pelo governador Alberto Capiberibe (PSB), de acordo com o depoimento do ex-deputado Milton Rodrigues, Fran Júnior - que está no terceiro mandato - disse não ter nenhum conhecimento. Ainda hoje à noite, a CPI vai ouvir a presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Margarete Salomão, e o empresário Jorge Récio. No início da noite, foi decretada a prisão de Silvio Assis, mas, até as 21h30
ele não havia sido localizado.

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