Deputado diz que empresa e 2 empresários estariam em esquema
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Marcelo Ventura 
Guarulhos, SP, 08 (AE) - O deputado estadual Elói Pietá (PT) afirmou hoje, em depoimento na Delegacia Seccional de Guarulhos, na Grande São Paulo, acompanhado por dois promotores, que a empresa de segurança Resilar e mais dois empresários da cidade participariam do esquema de pagamento de propina aos vereadores. Ele baseou-se nas conversas gravadas em dezembro do prefeito Jovino Cândido (PV).
O empresário Luís Roberto Mesquita, que testemunhou o encontro, também foi ouvido hoje. Foram citados por Pietá o dono da Resilar, Primo Simionato, o advogado dele, Cláudio Spolidoro, e os empresários Antonio Veronezi e Carlos Roberto de Campos. De acordo com ele, os representantes da Resilar são acusados por Cândido de tentar intermediar acordos em troca de receber os pagamentos atrasados que a prefeitura devia à empresa.
"Observei na fita que a proposta citada era que a prefeitura pagasse quatro parcelas de R$ 300 mil e recebesse de volta R$ 80 mil para os acertos com vereadores", afirmou. Segundo o deputado, nos meses seguintes, Cândido mencionou que deveria pagar R$ 1,2 milhão e teria de volta R$ 600 mil.
Spolidoro negou que a conversa citada por Cândido na gravação tivesse ocorrido. "A empresa ainda tem a receber da prefeitura cerca de R$ 3 milhões atrasados e apenas fomos chamados para acertar as contas, o que não ocorreu."
Diante da negativa de Cândido em honrar a dívida na época, Spolidoro entrou com ação na Justiça. "Também propus sua cassação na Câmara por improbidade administrativa, já que ele continuava a pagar outras empresas", disse. A comissão formada para investigar o assunto foi arquivada e a Resilar, desmontada.
Simionato não é encontrado nem pelo advogado. "Ele faliu." Pietá relatou ao delegado Cláudio Gobbetti que o industrial e ex-vereador Carlos Roberto de Campos foi citado por Cândido por ter feito cálculos nos quais seria possível tirar mais de R$ 20 milhões por ano da prefeitura. "Jamais tive esse tipo de conversa com o prefeito", afirmou Campos.
O deputado informou ainda que Cândido menciona ter sido procurado pelo empresário Antonio Veronezi, dono da Universidade de Guarulhos (UnG) e do Internacional Shopping, para que liberasse o habite-se do centro de compras em troca de dinheiro. "Ele diz que foi vítima de suborno", afirmou Pietá.
Veronezi, que também preside o PFL em Guarulhos, disse, por meio de nota oficial, que procurou o prefeito "pouquíssimas vezes". No documento, encaminhado à reportagem ontem (07), antes dessas denúncias, ele diz que pediu o alvará de funcionamento provisório do shopping, mas não foi "atendido quanto ao pleito" na época, só posteriormente. "Desafio o sr. Jovino Cândido a demonstrar ou afirmar que eu uma vez sequer tenha solicitado qualquer favorecimento."
Mais de 40 entidades civis de Guarulhos e da capital participaram hoje de um encontro pela ética na política, exigindo apuração das acusações contra vereadores.
Pietá e dois vereadores do PT, Orlando Fantazzini e Edson Albertão, que não são citados nas denúncias, estiveram presentes. "Não deve ser virtude o vereador ser honesto, mas obrigação", disse Fantazzini.
Edson Albertão destacou a dificuldade de a Câmara investigar a maioria dos integrantes. "Nem dá para formar uma comissão." Os demais vereadores estiveram fora da cidade hoje, com advogados, segundo fontes ligadas a eles.


