Deputado diz à CPI que abre mão até da imunidade
Brasília, 12 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico dedicou parte da sessão de hoje, que seria para ouvir o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para ouvir as explicações de um de seus membros, acusado de suposto envolvimento com o tráfico de drogas e de armas. O deputado Wanderley Martins de Brito (PDT-RJ), que responde a inquéritos na Polícia Federal por suposto envolvimento com traficantes, se apressou em explicar as denúncias surgidas quando ele era delegado da PF e se propôs a abrir mão de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico e até renunciar à imunidade parlamentar, para ser investigado.
"Abro mão até de minha imunidade se as denúncias contra mim forem essas", afirmou Wanderley Martins, bastante nervoso e sempre negando ligações com o tráfico de drogas e armas. O deputado se colocou à disposição da Corregedoria da Câmara dos Deputados para ser ouvido.
Diante da situação, o deputado Fernando Ferro (PT-PA) chegou a propor a quebra do sigilo de todos os membros da CPI do Narcotráfico. Wanderley Martins é acusado de ter supostas ligações com dois dos maiores contrabandistas de armas do mundo - os libaneses Elias Mikahael Kannan e Nasser Mustafa Beynund - e o traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, o Valtinho, que está foragido da Justiça carioca.
Martins garantiu à CPI não conhecer Valtinho e se diz vítima de perseguição. O deputado revelou ainda que a Polícia Federal abriu duas sindicâncias contra ele, "mas não fui ouvido em nenhuma delas".
Em inquérito a ser transferido ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o deputado é acusado de prevaricação - crime cometido por servidor público que, por ação ou omissão, deixa de cumprir seu dever, por não ter prendido em flagrante o traficante Valtinho."Há interesses inconfessáveis por trás dessas denúncias", suspeita Wanderley.
O deputado sugeriu à CPI do Narcotráfico requisitar a PF no Rio todos os inquéritos abertos contra ele. A sugestão de Wanderley foi acatada pelo presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-PA), que, ao final da reunião, aprovou requerimento requisitando da PF tudo que há contra o deputado. Segundo Malta, o episódio envolvendo Wanderley Martins será esclarecido nos mínimos detalhes.
Receita - As cidades de Foz do Iguaçu e Cidad del Leste, localizadas na fronteira do Brasil com o Paraguai, são utilizadas diariamente na lavagem de dinheiro oriundo do narcotráfico e outros negócios ilícitos. São R$ 18 milhões por dia naquela região, revelou o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, em depoimento à CPI do Narcotráfico. Em 98, a Receita apreendeu R$ 44 milhões em mercadorias só em Foz do Iguaçu.
Segundo Maciel, a movimentação anual da lavagem de dinheiro nas duas cidades chega a R$ 4,32 bilhões. As Ilhas Cayman também figuram como entreposto de lavagem de dinheiro originário do narcotráfico. Segundo Maciel, o paraíso fiscal é hoje o segundo maior exportador na pauta de importações brasileiras.
Maciel explicou que outro foco para lavagem de dinheiro oriundos de operações ilícitas, como o narcotráfico, são os bingos espalhados no País, propícios para a sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O secretário da Receita Federal defendeu na CPI do Narcotráfico o fechamento os bingos.





