Deputado deve ser chamado para explicar acusações
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 27 (AE) - O deputado federal Odílio Balbinotti (PSDB-PR) deve ser chamado a dar explicações à Corregedoria da Câmara sobre uma entrevista concedida a uma TV a cabo de Maringá
a 430 quilômetros de Curitiba, no Norte do Paraná. Na fita, entregue ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Balbinotti teria acusado deputados e prefeitos de apropriar-se de recursos federais destinados a obras nos municípios.
Ele pode ser indiciado por quebra de decoro parlamentar. A denúncia foi apresentada a Temer pelo deputado federal Valdomiro Meger (PFL-PR), também de Maringá. Ele conseguiu o apoio de outros 12 deputados, que assinaram o requerimento pedindo a abertura de uma sindicância. Segundo Meger, o deputado estava sendo entrevistado ao vivo, quando uma telespectadora lhe perguntou sobre o salário dos parlamentares.
Balbinotti teria respondido que os vencimentos líquidos ficam em torno de R$ 5 mil. Mas continuou comentando o assunto e teria dito haver deputados que recebiam comissão para votar projetos de verbas a prefeituras. Meger disse que, na entrevista
Balbinotti afirma que o prefeito de um município da região teria ficado com 50% de uma verba liberada, enquanto o deputado que conseguiu a liberação ficou com a outra metade.
Além disso, Balbinotti, de acordo com Meger, também teria dito, na mesma entrevista, que não conseguia fazer muita coisa "porque vivia em meio a uma gangue". Ainda segundo Meger
em outro trecho, ele diz que o salário não é o mais importante para os deputados porque eles estariam "atrás de comissão". De acordo com o deputado, a entrevista foi longa, mas o trecho questionado tem cerca de seis a sete minutos.
Meger afirmou que Balbinotti vinha fazendo críticas havia muito tempo. "Agora, passou do limite", disse. "Ele tem de dar nome aos bois, pois deixou sob suspeita todos os deputados e prefeitos." A assessoria de Balbinotti disse que ele estava hoje numa fazenda, sem possibilidades de comunicação. Mas, de acordo com a assessoria, o deputado aguarda um posicionamento da Corregedoria - "se houver" - para dar as explicações.
Os dois deputados estiveram envolvidos em outro escândalo, conhecido como "pianismo", no início de 1998. Balbinotti denunciou que o deputado federal José Borba (PPB) teria votado, numa das sessões da Câmara, no lugar de Meger, que
naquele dia, estava em Maringá. Os dois tiveram de dar muitas explicações, mas não tiveram o mandato cassado.


