Deputado descarta participação do Judiciário em adoções ilegais
Curitiba - O deputado federal Fernando Francischini (PEN-PR), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Tráfico de Pessoas, afirmou ontem que não acredita haver envolvimento do Judiciário paranaense nos casos de adoções irregulares. A CPI investiga ao menos 355 situações no Paraná e em Santa Catarina, intermediadas por Audelino Souza, o Lino, ex-funcionário da ONG Limiar Brasil.
Na última terça-feira, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que irá apurar se a estrutura judiciária está facilitando o tráfico de pessoas por meio de ações concretas ou negligência, principalmente em Monte Santo, na Bahia, e no Paraná. Na ocasião, o presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), disse estranhar que adoções tenham ocorrido em apenas um mês, sendo que o processo normal duraria de três anos a três anos e meio.
"Estamos com uma denúncia de envolvimento de autoridades do Poder Judiciário do Paraná em uma reunião com uma pessoa identificada como vice-cônsul dos Estados Unidos e com a presença do Lino. Mas nós temos certeza de que não há indícios de participação de ninguém do Poder Judiciário por uma mera reunião com alguém que, até aquele momento, estava acima de qualquer suspeita", disse Francischini.
Segundo ele, antes de tomar qualquer medida, é preciso conhecer o assunto da reunião e entender até que ponto se dava a influência da Embaixada norte-americana nos processos.
O deputado informou ainda que já entregou ao FBI e ao governo norte-americano a lista das 355 crianças que teriam sido adotadas de forma irregular.
"O último caso é a nossa interação com o FBI, que trabalha em sigilo. A ideia é que o governo dos Estados Unidos vá a cada casa para verificar se a criança tem saúde, se está sendo educada e está adaptada. Durante as investigações, em dois casos as crianças foram levadas para famílias desestruturadas e acabaram abandonadas e isso tudo precisa ser investigado."(M.F.R.)





