Deputado defende mesmo percentual aplicado ao teto salarial do funcionalismo
Deputado defende mesmo percentual aplicado ao teto salarial do funcionalismo7/Mar, 16:09 Por Renato Andrade Brasília, 07 (AE) - A proposta do deputado Paulo Paim (PT-RS) de conceder ao salário mínimo um reajuste de 43,6%, equivalente ao que será aplicado ao teto salarial dos deputados, não chegou a ser detalhada hoje pelos parlamentares da comissão especial do salário mínimo da Câmara dos Deputados, que se reuniram em Brasília. "Essa é uma posição política do deputado Paim e que vamos avaliar", afirmou o relator da comissão, deputado Eduardo Paes (PTB-RJ). "É importante se fazer essa comparação, ela ajuda politicamente a propormos um reajuste maior para o mínimo", acrescentou. O aumento do teto salarial dos funcionários públicos para R$ 11,5 mil, decidido na semana passada entre os presidentes dos Três Poderes, ainda causa bastante polêmica junto aos parlamentares da comissão. "O aumento é imoral", classificou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Para Paes, o aumento do teto salarial criou um "constrangimento fora do normal" para os parlamentares que estão discutindo o reajuste do mínimo. Paim insistiu que por uma questão de "lógica", terá de ser dado ao salário mínimo o mesmo porcentual de reajuste concedido ao teto salarial. "É apenas uma questão de justiça", afirmou. Para o deputado petista, o Congresso e o Executivo devem trabalhar para tentar reduzir a diferença entre o piso e o teto salarial dos trabalhadores públicos. "Tecnicamente, nós temos que diminuir essa diferença, já que no Brasil ela chega a cem vezes", afirmou. O deputado Paim considera politicamente "constrangedor" para deputados e senadores aceitarem o reajuste de 43,6% em seus salários e não votarem, ao menos, pelo mesmo porcentual para aqueles que recebem um salário mínimo no País. "O parlamentar tem o legítimo direito, como todos os trabalhadores, de fazer seu movimento por reivindicações salariais", disse. "Seria recomendável que se desse, pelo menos, o mesmo porcentual de reajuste do teto para o mínimo", acrescentou. Para Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP), o clima de negociação entre a comissão e o Executivo ficou mais difícil depois da decisão sobre o teto tomada na semana passada. "O governo não se abre, não dá indicações sobre o quanto poderia ser o aumento", avaliou. "Depois da definição desse novo teto, é muito difícil o Congresso não votar o reajuste do mínimo", ressaltou Medeiros. Relatório - O relator da comissão, Eduardo Paes (PTB-RJ) informou que pretende divulgar na próxima semana um relatório preliminar dos estudos que estão sendo feitos sobre o impacto do aumento do mínimo para a inflação, o mercado de trabalho e os reflexos para Estados e municípios. O relatório final, no entanto, só deverá ser conhecido na primeira semana de abril, quando a comissão terá concluído as possíveis fontes de receita e o porcentual de reajuste para o mínimo. Paes também afirmou que não acredita que o governo edite uma medida provisória (MP) definindo o porcentual de reajuste do salário mínimo antes da conclusão dos trabalhos da comissão. "É um risco político para o governo editar uma MP sem ouvir a comissão", disse. Em entrevista ontem, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, afirmou que a edição de uma MP ainda está "em aberto" dentro do governo.





