Edinelson Alves
Especial para a Folha
O deputado paranaense Márcio Matos (PT), membro da CPI dos Medicamentos, pediu a imediata intervenção no mercado de remédios no Brasil. Para ele, não existe apenas medicamento do tipo Bom para Otário, o polêmico B.O. comercial, como revelou o ex-presidente da Abrafarma, Aparecido Bueno Camargo, mas há também o B.O. Público e o B.O. Genérico, os quais são conhecidos pelos médicos que trabalham na rede pública.
Segundo ele, vive-se num faz de conta. ‘‘O médico faz de conta que atende o doente (em dois minutos e sem poder pedir exames); o doente faz de conta que foi atendido, recebendo o B.O. Público, e o governo faz de conta que cumpriu o seu papel.’’
Márcio, que é médico, dá o seguinte exemplo: ‘‘Imaginemos um cidadão com febre, dor lombar, dor ao urinar e urinando mais vezes ao dia do que o normal. Trata-se de uma possível infecção do trato urinário. O médico, na consulta de dois minutos, ouviu a queixa, pratica um exame clínico, imaginando ser uma infecção. Como não há cota para exames – de urina tipo 1, cultura ou antibiograma – o profissional fica sem saber qual o tipo de bactéria que causou a infecção e não há como indicar o antibiótico específico, mas um de largo expecto. Taí o B.O. Público’’, denunciou.
Ele alertou também para o B.O. Genérico, principalmente ao mal uso de antibiótico de longo tempo, distribuído a granel, sem orientação médica ou farmacêutica. Márcio afirma que por causa do mau uso e da grande quantidade, alguns antibióticos como Cloranfenicol, Tetraciclinas, Ampicilinas, entre outros, tornaram-se insensíveis às bactérias. O deputado teme que o uso indevido pode provocar um enorme descrédito da população em relação aos genéricos.
Para Márcio, a exemplo da CPI do Narcotráfico, a dos Medicamentos tem a obrigação de dar uma resposta adequada à sociedade brasileira. ‘‘O legislativo brasileiro através de suas ações, através da CPI, deverá reconquistar a confiança da sociedade.’’ Márcio defende a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico de todas as 21 empresas que participaram da reunião que elaborou a campanha contra os genéricos.

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