Brasília, 11 (AE) - O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS)
subrelator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, confirmou hoje a existência de transações entre as contas do médico-legista Fortunato Badan Palhares, do Instituto de Patologia, de propriedade dele, e de terceiros.
Ele contestou os argumentos dos advogados de Palhares, que indicam erros na acusação de que ele teria sacado R$ 2,7 milhões, de 1995 a 1999, e declarado um rendimento inferior a R$ 1 milhão no período.
"Não se trata de transferências entre contas de Badan Palhares, mas de movimentações entre contas dele, do Instituto de Patologia - de propriedade do médico-legista - e de terceiros", disse Mattos. Segundo a advogada de Palhares Tereza Doro, os R$ 2,7 milhões referem-se à movimentação financeira. Ela explicou que o cliente fez saques para aplicar no mercado financeiro e o dinheiro voltava para as mesmas contas somado aos rendimentos financeiros.
A CPI do Narcotráfico deve aprovar o pedido para que Palhares seja ouvido novamente, a fim de que ele dê explicações sobre a movimentação bancária. Na primeira sessão da comissão, possivelmente na próxima semana, deve ser votada a quebra de sigilo bancário do Instituto de Patologia, localizado em Campinas, no interior de São Paulo. O médico-legista, que é acusado pela CPI do Narcotráfico de produzir falsos laudos encomendados por integrantes de quadrilhas de narcotraficantes, pode ser indiciado por crime fiscal.
De acordo com o parlamentar, o volume de recursos movimentado por Palhares pode comprovar a tese de que ele recebia vultuosos pagamentos do crime organizado. Mattos disse que o médico-legista não deve estar diretamente envolvido com o narcotráfico, mas que ajudou quadrilhas de tráfico de drogas, na medida em que fez laudos "irresponsáveis".
Mattos reconheceu que houve um equívoco na acusação de que um cheque de Palhares, no valor de R$ 2 mil, foi depositado na conta do advogado Arthur Eugênio Mathias, de Campinas, que está preso e é acusado de pertencer a uma quadrilha de roubo de cargas de caminhões. O advogado é suspeito ainda de integrar a quadrilha do empresário William Sozza, que está foragido desde 1999. Segundo ele, o cheque é de uma outra pessoa, que não foi identificada pelo parlamentar. Mattos explicou que técnicos que assessoram a comissão misturaram dados sobre depósitos de terceiros a Mathias com o relatório de Palhares.

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