Deputado coleta dados sobre exploração sexual de crianças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de junho de 2000
Edinelson Alves Especial para a Folha De Brasília 
O deputado federal Padre Roque (PT-PR) prepara um dossiê sobre a exploração sexual de menores e o tráfico de crianças no Brasil para fins de contrabando de órgãos. Ele busca informações junto aos secretários de segurança para obter um levantamento completo em todos os Estados. A partir daí, explica, serão definidas estratégias para aprofundar as investigações sobre o assunto.
Durante a CPI do Narcotráfico tivemos graves denúncias sobre quadrilhas que operam com tráfico de crianças. Temos gravações e depoimentos de testemunhas que confirmam a ramificação deste tipo de crime. Esperamos ainda receber muitas denúncias para, com um documento consistente, combater a impunidade desses crimes hediondos praticados contra crianças indefesas.
No Paraná, Padre Roque adiantou que as primeiras investigações serão feitas para apurar o envio de menores para exploração sexual em balneários de Santa Catarina. Ele denunciou que tem sido uma prática comum os aliciadores atraírem menores, preferencialmente loiras, de todos os municípios da região de Ponta Grossa para levá-las para Santa Catarina. Enquanto os pais pensam que as jovens estão trabalhando como domésticas, na verdade, estão sendo exploradas sexualmente em casas e bares do litoral catarinense. A procura pelas loiras é maior, justamente para atender a preferência dos gringos, denunciou.
Conforme a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), organização não-governamental escolhida pelo Ministério da Justiça para receber denúncia de exploração infantil, através do telefone 0800-990500, entre março de 97 e março de 2000 foram registradas 1.338 denúncias. Rio de Janeiro (15,92%) São Paulo (8,89%), Fortaleza (4,19%) e Brasília (40,04%) lideram o ranking das cidades com maior número de exploração de menores. A Abrapia também revela que 87,32% dos casos denunciados estão relacionados ao crime de prostituição, 5,77% de turismo sexual e 3,57% pornografia na Internet.
A pesquisa da Abrapia revela ainda que, em 52,84% dos casos, os pais são os aliciadores (sendo as mães responsáveis por 41,18% e os pais 11,76%), vindo em seguida o namorado com 11,76%. O aumento populacional, a falta de emprego, e a situação de miséria são apontados como fatores que contribuem para as redes de aliciamento familiar.
Para Olga Câmara, diretora do Departamento da Criança e do Adolescente do Ministério da Justiça, o combate a exploração terá maior eficácia à medida que a população levar os casos para os conselhos tutelas dos municípios ou utilizar o disque-denúncia.
O presidente da Abrapia, Lauro Monteiro Filho, informa que há apenas 40 aliciadores presos e 70 inquéritos em andamento. Ele afirma que a polícia não tem priorizado a investigação dos casos.


