O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marcos Rolim (PT-RS), disse ontem que o secretário de Segurança Pública do Paraná, José Tavares, deveria ser responsabilizado por abuso de autoridade, em razão do conflito entre policiais e sem-terra na entrada de Curitiba, na semana passada. Segundo ele, há provas de que Tavares deu ordem para impedir a entrada dos sem-terra na cidade o que seria ‘‘ilegal e inconstitucional’’. No confronto, morreu o assentado Antônio Tavares Pereira. Dezenas de policiais e de sem-terra ficaram feridos, segundo informação oficial. De acordo com o MST, centenas de manifestantes foram agredidos pela PM.
Marcos Rolim disse que o comando da Polícia Militar confirmou essa determinação. De acordo com a Secretaria, a ordem era para parar os ônibus e fazer uma vistoria, pois havia informações de que os sem-terra e assentados estavam armados e tinham intenção de ocupar prédios públicos.
Para o presidente da comissão, o secretário feriu o artigo constitucional que garante o direito de transitar livremente. ‘‘Se comprovada a evidência, ele deve responder administrativa e penalmente’’, disse Rolim. Em relação aos atos de violência, disse que cada policial deve ser responsabilizado individualmente.
Quatro integrantes da comissão estiveram em Curitiba – além de Rolim, os deputados paranaenses Padre Roque Zimmermann (PT), Florisvaldo Fier (PT) e Flávio Arns (PSDB) – para ouvir vários relatos de violência. Apenas três se referiam aos problemas com sem-terra.
O deputado Marcos Rolim disse que o trabalho da comissão será denunciar e acompanhar os inquéritos, principalmente o referente à morte do agricultor Antônio Tavares Pereira.
A comissão acredita que o policial que o matou estava ocupando a viatura 4516 da Polícia Militar, que recebeu um golpe de foice. Na próxima semana, a comissão deve apresentar um relatório sobre o conflito.
O secretário José Tavares não foi localizado para comentar as declarações do deputado Rolim.

mockup