São Luís, 29 (AE) - O deputado estadual Francisco Caíca (PSD), do Maranhão, apontou hoje, em depoimento de cinco horas, os nomes de um desembargador aposentado - Orville de Almeida Silva - que estaria envolvido com o esquema de proteção aos principais dirigentes do crime organizado. Também citou outros dois desembargadores, que já morreram, Wagner de Souza Campos e João Miranda Sobrinho. "Eles davam cobertura para o pessoal ", afirmou o deputado.
É a primeira vez que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado da Assembléia Legislativa do Maranhão registra denúncia contra magistrados do primeiro escalão.
O relator da comissão, Jomar Fernandes (PT), requereu a convocação de Silva. Em 1995, Silva assinou atestado de "boa conduta" de Joaquim Felipe Souza Neto, mais conhecido como "Lauristo", apontado como um dos dirigentes operacionais da quadrilha. Um irmão de "Lauristo" trabalhava para o desembargador.
Caíca acusou também um colega, o deputado José Gerardo (PPB), apontado como o principal dirigente da organização no Maranhão, com ramificações em outros 13 Estados e na Bolívia.
Segundo a acusação, Gerardo teria envolvimento em pelo menos 13 assassinatos, até mesmo do delegado Stênio Mendonça. Morto com cinco tiros em São Luís, em maio de 1997, Mendonça estava investigando a quadrilha e havia reunido provas contra Caíca e Gerardo. Os dois devem ser cassados.
O relato de Caíca surpreendeu a CPI. Ele começou a depor às 19 horas de ontem (28). Depois de cinco horas, ele passou mal e teve de ser atendido por um médico. O depoimento iria recomeçar hoje à tarde, mas o parlamentar apresentou atestado médico alegando estar com crise hipoglicêmica (queda de açúcar no sangue). Ele afirmou ter afastado-se da quadrilha em 1994, mas nunca a delatou porque tinha "medo de morrer".
Caíca admitiu ter sido informado sobre o plano de assassinato do delegado 14 dias antes do crime. Também confessou que, em 1982, ele dirigiu o carro em que estava um pistoleiro, conhecido por Rimualdo, que executou um ex-funcionário de uma empresa de ônibus de Gerardo, que está exercendo o quinto mandato. Durante 12 anos, Caíca trabalhou como assessor de Gerardo na Assembléia. Em 1994, ele decidiu candidatar-se a deputado e foi eleito pela primeira vez. "Eu não concordava com tudo aquilo, mas tinha medo do grupo", disse Caíca.

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