Deputada reclama que polícia paraguaia facilita fuga de Beira-Mar
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domingo, 19 de março de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 20 (AE) - A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ) disse hoje que a falta de colaboração da polícia do Paraguai com a CPI do Narcotráfico brasileira está ajudando o traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, a escapar das autoridades. Segundo ela, Beira-Mar, que supostamente comandaria um esquema de tráfico de drogas que envolve vários Estados brasileiros, está escondido em território paraguaio, assim como outros traficantes brasileiros.
"Com o dinheiro que ele (Beira-Mar) tem, com a estrutura que tem, sua capacidade de sair é tão grande que a polícia brasileira, sem apoio da polícia paraguaia, não vai conseguir prendê-lo", afirmou a parlamentar, que integra a CPI. Ela mostrou-se decepcionada com o fracasso da tentativa de audiência com o governo paraguaio, segundo ela agendada pela CPI do Narcotráfico que funciona no próprio Paraguai.
A parlamentar estranhou o episódio, ocorrido, segundo ela, depois que os deputados brasileiros obtiveram avanços nas investigações no Mato Grosso do Sul. "Quando chegamos ao Paraguai, o presidente não pôde nos receber", relatou. Laura lembrou que na véspera tinham sido ouvidos dois integrantes de uma quadrilha conhecida pelo nome de Morel e disse que a CPI tinha chegado perto de alguns traficantes importantes. "A gente tem certeza que isso deve, de alguma maneira, ter abalado estruturas", disse ela.
A parlamentar afirmou que a CPI espera que a polícia paraguaia colabore e contou que foi marcada nova reunião, em 30 dias, na fronteira, entre autoridades dos dois países, para traçar uma estratégia para capturar Beira-Mar e outros traficantes brasileiros que estão no Paraguai.
A deputada participou, com os colegas Wanderley Martins (PDT-RJ) e Paulo Balthasar (PSB-RJ) de um encontro com secretário da Segurança Pública do Rio, Josias Quintal. Segundo ela, é provável que a CPI volte ao Mato Grosso do Sul, por causa do volume de drogas que entra no País pela fronteira do Estado e pelo grande número de envolvidos descobertos durante as investigações.


