Londrina - Um projeto de lei apresentado no ano passado na Câmara dos Deputados estipula que os vestibulares de todas as instituições federais de Ensino Superior passariam a ser realizados na mesma data. A proposta atualmente está na Comissão de Educação da Casa.
A deputada Rosane Ferreira (PV-PR), autora do projeto, cita que existe um chamado "turismo do vestibular", e qualifica de "injusta" a ocupação de vagas nas federais por candidatos de outros Estados e regiões.
"A concorrência pelas disputadíssimas vagas remanescentes nas instituições federais, que ainda são ocupadas por meio de exames vestibulares realizados em datas distintas, tem dado oportunidade à circulação dos candidatos com melhores condições financeiras e que puderam ter uma formação mais qualitativa, ocupando as vagas daqueles que, por falta de condições financeiras, só teriam condição de disputá-las nas instituições públicas, gratuitas e localizadas na proximidade de suas residências. Além de distorcer a finalidade dos exames vestibulares, fomentando um ‘mercado do exame vestibular’, as vagas deixam de ser ocupadas por aqueles que mais necessitam delas", argumenta a parlamentar.
Procurado pela FOLHA, o MEC informou que não comenta projetos de lei em andamento no Congresso Nacional.
Jesualdo Pereira Farias, da Andifes, afirma que não conhece o projeto de lei em detalhes e que a entidade ainda não discutiu o assunto internamente. "Na minha opinião, o que posso dizer é que a unificação de datas traria vantagens e desvantagens. As principais vantagens seriam a consolidação de todo o processo em um dia só e tornar mais fácil a operação do sistema. A desvantagem maior seria limitar oportunidades para os estudantes", explica.
Entretanto, caso demore para ser aprovada, a proposta corre o risco de ter pouca ou nenhuma eficácia. "Acredito que dentro de dois anos todas as universidades federais deverão usar o Enem como processo de avaliação, aí esse projeto de lei perderia o sentido", diz Farias.(F.G.)

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