Rio Branco, 03 (AE) - A deputada Naluh Gouveia (PT) disse hoje ao juiz federal Pedro Francisco da Silva que o grupo do ex-deputado Hildebrando Pascoal é responsável pela morte do presidiário Antonio Carlos Araújo, o Da Lua, em junho de 1997. O corpo de Da Lua foi encontrado num matagal na periferia sem a cabeça e apresentando marcas de tortura.
Segundo a deputada, o rapaz foi condenado "inocentemente" pela morte da professora Maria José de Oliveira, em fevereiro daquele ano. Maria José teria descoberto que o traficantes supostamente ligados a Hildebrando estariam aliciando estudantes em sua escola, no Conjunto Universitário, para transformá-los em "aviõezinhos" (repassadores de droga).
A professora teria procurado um policial militar identificado como Uchoa e denunciado o esquema de aliciamento. Uchoa, de acordo com Naluh, integra o "braço armado" do grupo de Hildebrando. Pouco tempo depois, Maria José levou três facadas dentro de sua casa. "Para incriminar Da Lua, que tinha problemas mentais e vivia fazendo brincadeiras com as moças, o homem que a esfaqueou dizia que iria estuprá-la para incriminar Da Lua", afirmou a deputada. Três dias depois, Maria José foi morta a facadas. Da Lua foi preso pouco tempo depois com a roupa suja de sangue.
"O exame de DNA do sangue provou que Da Lua era inocente", disse a deputada. Ainda segundo ela, Da Lua passou a falar no presídio que era inocente. No dia 6 de junho, de acordo com a versão policial, o rapaz fugiu da prisão ao ser encarregado de lavar um carro no estacionamento. O corpo apareceu no dia seguinte sem a cabeça, encontrada mais tarde às margens de um igarapé. "Esse é mais um crime de responsabilidade do senhor Hildebrando e seu grupo", afirmou Naluh.
Depoimentos - O depoimento de Naluh durou cerca de três horas, o que deverá atrasar a conclusão da audiência prevista para terminar amanhã (04). Serão ouvidas 22 testemunhas de acusação e, até as 15 horas, apenas duas tinham prestado depoimento. Os advogados de defesa não divulgaram o número de testemunhas que arrolaram mas cada um dos 52 acusados têm direito a oito.
Nenhum incidente foi registrado até o começo da noite. "Está tudo tranquilo", disse o superintendente da Polícia Federal, Glorivan Bernardes, coordenador do megaesquema de segurança que envolve 150 agentes federais e mais de 100 PMs.

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