Deputada do PDT do Rio faz greve de fome contra suposta discriminação
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Wilson Tosta e Rodrigo Mattos (especial para a AE) 
Rio, 08 (AE) - A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) entrou em greve de fome e está morando temporariamente no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde permanece desde ontem (07), em protesto contra suposta discriminação que estaria sofrendo por parte do presidente da Casa, Sérgio Cabral Filho (PMDB).
Ela não se conforma por não ser titular em nenhuma comissão de trabalho do Legislativo, presumivelmente uma represália por não ter votado em Cabral Filho para a presidência. Desde a noite de ontem, só ingere líquidos. "Ou o presidente muda ou vou morrer", afirmou ela.
"Ele vai ter de carregar esse caixão." A parlamentar decidiu fazer a greve depois que, ontem, soube ter sido indicada como suplente da Comissão de Defesa do Consumidor. No início da legislatura, Cidinha Campos pretendia ser presidente da Comissão de Orçamento, que julgará as contas do último ano de governo de Marcello Alencar (PSDB). Segundo ela, Cabral Filho vetou o pedido, mas foi fechado um acordo, segundo o qual a deputada seria vice-presidente da comissão, em que os partidos governistas teriam maioria. Isso não aconteceu: a maioria dos lugares ficou com a oposição, ligada ao governo passado.
Ela, então, renunciou ao cargo. "Ser vice sem maioria é o mesmo que ser ajudante de mágico, não adianta nada", afirmou ela, que chegara a prometer que seria o "encosto" (espírito obsessor) do presidente da comissão, Paulo Melo (PSDB). Ela acusou Cabral Filho de não ter critérios justos para distribuir os cargos nas comissões. O deputado tucano Washington Reis, afirmou, participa de 15 comissões, e o petebista Fábio Gonçalves Ranhueitti, cujo partido só tem duas das 70 cadeiras, preside a Comissão de Obras, uma das mais importantes da Assembléia.
Cidinha está tendo acompanhamento de assessores no plenário, onde usa telefones celulares para dar entrevistas. Na madrugada de hoje, recebeu ligações do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, e do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que lhe prestaram solidariedade.
Ela promete continuar o movimento até que a composição das comissões seja mudada. "A administração da Casa não é séria
só se preocupa com amenidades." Ela disse que 70 deputados foram mobilizados para aprovar condecorações para um tio da deputada Andréa Zito (PSDB).
A presidência da Assembléia Legislativa alegou hoje que Cidinha Campos não é titular em nenhuma comissão por ter renunciado, por carta, em março, à vice-presidência da Comissão de Orçamento. A parlamentar, porém, poderá voltar ao cargo, desde que a liderança do PDT a indique, segundo o próprio presidente disse à deputada.


