Rio, 06 (AE) - A deputada estadual Alice Tamborindeguy (PSDB) enviará esta semana ao secretário estadual de Educação do Rio, Hésio Cordeiro, um requerimento de informação para saber porque a lei de sua autoria, que determina a inclusão do estudo da dependência química nas escolas de 1º e 2º graus, não foi ainda posta em prática. A Lei nº 2.803 foi sancionada em outubro de 1997, mas, até hoje não saiu do papel.
A lei torna obrigatório a orientação sobre dependência química e suas consequências neurológicas, psicológicas e sociológicas nas cadeiras de ciências sociais, biologia e química. Para a deputada, é fundamental que a lei seja posta em prática o quanto antes. "Nosso principal objetivo é a prevenção", afirmou. "Se o jovem for bem informado, quando alguém lhe oferecer drogas ele saberá recusar".
Tão logo receba o requerimento de informação, o secretário terá um prazo de 30 dias para responder à deputada. A Secretaria Estadual de Educação informou, por meio de sua assessoria de Imprensa, que Hésio Cordeiro já está fazendo gestões internas para a implementação da lei e que até junho o projeto deverá estar reformulado e pronto para ser posto em prática nas escolas a partir do segundo semestre.
Ao longo do ano passado foram ministrados cursos para diretores e professores de escolas de todo o Estado para capacitá-los a incluir o assunto no currículo. Atualmente existem 200 diretores e dois mil professores aptos a abordarem o tema em sala de aula. Os cursos foram dados por profissionais do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O Nepad havia firmado convênio com a secretaria para a capacitação de professores, mas, com a mudança de governo, os cursos foram temporariamente suspensos.
"Levamos o projeto para o novo secretário que se mostrou muito empolgado com o programa e o encaminhou a sua coordenadoria de projetos", contou a diretora do Nepad, Maria Thereza de Aquino. "Estamos aguardando a resposta". O projeto do Nepad para que o assunto seja levado às salas de aula prevê que o tema seja abordado pelos alunos por meio de jogos interativos, representações e competições que devem acontecer pelo menos dez vezes por semestre. "Não adianta alguém ir ao colégio e dar uma palestra", afirmou Maria Thereza. "Os alunos ficam cheios de dúvidas e não há continuidade".

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