Brasília - A cantora mexicana Gloria Trevi pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal que lhe conceda o direito de permanecer no hospital durante todo o período de amamentação do filho Angel Gabriel, que nasceu anteontem.
O pedido será apreciado pelo ministro Néri da Silveira, relator do processo de extradição dela e de sucessivos recursos que ela vem apresentando ao tribunal.
Glória foi transferida do presídio da Papuda para o hospital por determinação da Justiça para evitar riscos à gravidez. Boletim médico divulgado ontem informava que Glória passava bem, mas com depressão.
Ontem o ministro Maurício Corrêa, também do STF, manteve a ordem judicial de coleta e armazenamento da placenta para eventual realização de exame de DNA no futuro. Corrêa negou recurso dela que suspenderia essa decisão de Néri da Silveira.
Gloria Trevi é acusada na Justiça do México de corrupção e rapto de menores, juntamente com o seu empresário, Sérgio Andrade, e a secretária, Maria Raquenel Portillo.
Eles foram presos em janeiro de 2000 no Rio de Janeiro. Em dezembro de 2000, o STF autorizou a extradição dos três. Em seguida, eles pediram refúgio e passaram a mover uma série de recursos para tentar adiar ou até mesmo evitar o retorno ao México.
O caso de Gloria Trevi complicou-se depois que ela engravidou na carceragem da Superintendência da Polícia Federal – onde ficou presa durante um período sem direito a visitas íntimas –, recusou-se a revelar o nome do responsável e deixou claro que não pretende admitir a coleta de material do filho para exame de paternidade. Há vários policiais federais suspeitos.
A 10ª Vara da Justiça Federal ordenou a coleta, o armazenamento e o imediato envio da placenta para o juiz. Glória recorreu ao STF e conseguiu impedir que o material chegasse às mãos do juiz, mas fracassou na tentativa de evitar o armazenamento e a possibilidade de futura na investigação.
O uso da placenta para exame de paternidade deverá ficar a critério do Supremo, que levará em conta o argumento do direito à intimidade.

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