Apatia, falta de interesse nas atividades e até mesmo queda na produtividade - quando esse quadro atinge o trabalhador, o caso pode ser de depressão relacionada ao trabalho. Mas nem sempre o melhor tratamento para a doença, que exige uma intervenção conjunta de psiquiatria e psicologia, é afastar o trabalhador de suas atividades. Ser reconhecido por seus pares e superiores, muito mais que o lado financeiro, levam à motivação e à satisfação no trabalho - aponta a psicóloga Rosemarie Elizabeth, de Londrina, doutora em psicologia clínica.
  Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão é a doença que mais acomete o trabalhador em todos os países do mundo. E no Brasil, cita a psicóloga, é a maior causa de faltas e rotatividade nos postos de trabalho. A doença, segundo Rosemarie, além de afetar o índice de produtividade do colaborador e os resultados da empresa, também afeta todos os âmbitos sociais de convivência da pessoa.
  Diagnosticar a depressão não é tarefa simples. Rosemarie alerta que, ao mesmo tempo que ela pode ser subdiagnosticada, também pode ser banalizada. Um diagnóstico parcial, aponta, pode estar voltado só para os sintomas físicos, quando a pessoa procura um cardiologista, um gastroenteorologista, ou um clínico geral, mas também ‘‘tudo pode virar depressão’’.
  É preciso fazer a diferenciação, alerta a profissional, da depressão e do estado deprimido, condição inerente ao ser humano. Ela explica que no processo de amadurecimento lidamos com diferentes situações de perda e de sofrimento, sejam ligadas a questões pessoais ou profissionais, mas que isso não significa necessariamente depressão. ‘‘Podemos sentir tristeza, chorar, isto é o estado deprimido. Estar feliz o tempo inteiro é contraditório ao ser humano’’, afirma.
  Mas é o prolongamento desse estado deprimido que vai caracterizar a depressão - insônia, estado de ansiedade, sono excessivo e falta de interesse sexual, afetivo, profissional
ou pessoal, por mais de duas semanas.
  As mulheres são as mais afetadas pela doença. Estatísticas apontam, segundo a psicóloga, que para cada 100 homens, um sofre de depressão. E de cada 100 mulheres, três são atingidas. Além das questões hormonais que propiciam maior freqüência da doença nas mulheres, a psicóloga ainda aponta questões relacionadas aos papéis femininos e ao modelo familiar em transição.
  ‘‘Saímos de um modelo familiar patriarcal em que o homem era o provedor financeiro e a mulher a provedora de afetos, para um modelo em que a mulher continua mãe, mas também tem que crescer profissionalmente e prover a família, muitas vezes só ela’’, aponta.
  O tratamento da depressão, segundo Rosemarie, inclui acompanhamento psicológico e psiquiátrico, de forma integrada com a família. Mas, será que o tratamento mais correto é afastar do trabalho? Para a psicóloga, ‘‘cada caso é um caso’’, cada qual com uma avaliação e indicação. ‘‘Pode ser interessante para algumas pessoas que naquele momento ela tenha um convívio familiar maior, o que vai ajudar na superação da doença. Mas para outros, tirar do trabalho, pode ajudar a matá-lo’’, alerta.
  A depressão, segundo a
psicóloga, tem taxa de risco
de suicídio de 15% a 30%, se não diagnosticada ou tratada devidamente.

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