Curitiba- A depressão em crianças e adolescentes é uma doença muito mais comum e perigosa do que se imagina. É o que revela um estudo feito pelo psicólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Saint Clair Bahls, que está lançando hoje, em Curitiba, um livro sobre o assunto. Segundo ele, uma pesquisa feita por uma organização norte-americana revelou que a doença atinge 2,5% da população infantil e 8,3% dos adolescentes nos Estados Unidos. Bahls realizou uma pesquisa com 463 estudantes entre dez e 17 anos, e concluiu que 20% das crianças e adolescentes desta faixa etária apresentaram sintomas depressivos.
O problema é muito mais preocupante do que aparenta. De acordo com o psicólogo, quanto mais cedo a doença se manifesta, maior é a gravidade do problema, por isso, requer tratamento imediato. ''Como outras doenças, por exemplo a diabetes, quanto mais cedo ela se manifesta mais complicações ela pode acarretar no futuro, pois se desenvolve de forma crônica'', explica Bahls. Ainda, segundo o psicólogo, a adolescência é considerada a faixa etária com maior vulnerabilidade para o comportamento suicida. ''Por isso, os pais devem prestar mais atenção no comportamento dos filhos, principalmente quanto a mudanças no comportamento'', aconselha.
Sintomas como instabilidade de humor, irritabilidade e redução do rendimento escolar podem ser sintomas de depressão. Quando ocorre na adolescência, os sinais são mais difíceis de serem percebidos porque são confundidos com as alterações típicas da idade.
Segundo o psicólogo, os sintomas mais aparentes em crianças de até sete anos são queixas físicas sem justificativa clínica, ansiedade e fobias. Crianças depressivas com idade entre sete e 11 anos geralmente apresentam sintomas parecidos: ansiedade, fobias, irritabilidade, tristeza, isolamento, e, em trabalhos escolares costumam expressar idéias relativas à morte.
Na adolescência, idade mais perigosa para o agravamento do problema, os sintomas são diversos: instabilidade de humor, irritabilidade, desinteresse por atividades comuns a idade, aumento do sono e do apetite, baixa auto-estima, desempenho escolar decrescente, dificuldade de concentração, envolvimento com drogas, brigas e atividade sexual promíscua e precoce.
Existem dois tipos de tratamento da depressão em crianças e adolescentes, os terapêuticos (psicoterapia e psicoeducação) e os medicamentosos. ''A maioria dos casos, quando detectados no início, é resolvida com a psicoterapia. O tratamento medicamentoso é indicado em casos mais graves'', explica o psicólogo.
''Depressão na Infância e Adolescência'' é um manual prático que aborda todos os aspectos que podem levar a criança ou o adolescente à depressão. A sessão de autógrafos com Bahls ocorre hoje, às 20 horas, na Sociedade Paranaense de Pediatria, na Rua Desembargador Vieira Cavalcanti, 550, Mercês. O livro também relata as diversas pesquisas realizadas pelo professor para obtenção do título de mestre em Psicologia.

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