Depressão e ansiedade atingem população nos grandes centros
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
Cerca de 46% dos moradores da região de Pinheiros (zona sudoeste de São Paulo) sofreram pelo menos um transtorno psiquiátrico ao longo da vida. Três em cada grupo de dez tiveram depressão ou ansiedade. Cerca de 17% dos entrevistados manifestaram um episódio depressivo que merecia tratamento médico.
Os dados aparecem em pesquisa coordenada por Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, do Instituto de Psiquiatria, que estudou a prevalência de transtornos psiquiátricos no entorno do Hospital das Clínicas, área urbana com população de classe média.
Foram ouvidas 1.464 pessoas com questionário aplicado por leigos; 400 dessas pessoas foram reentrevistadas por um psiquiatra. A pesquisa conclui que os transtornos psiquiátricos são muito prevalentes na população estudada - estudos clássicos falam em 30% de transtornos na vida, contra 46% da pesquisa do HC.
Quase metade (45%) de um grupo de dependentes de cocaína injetável estudado em São Paulo disse sofrer de depressão. Cerca de 30% tentaram o suicídio uma vez. Tanto os dependentes infectados pelo HIV como os não infectados foram afetados da mesma forma pela depressão. Até recentemente, acreditava-se que os quadros depressivos estivessem ligados também ao vírus HIV. A pesquisa, com 60 dependentes, foi conduzida pelo psiquiatra André Malbergier, do Ambulatório de Drogas Injetáveis do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
Metade do grupo tinha HIV, 78% eram homens, 30% estavam casados ou viviam com alguém, 53,3% estavam empregados e 62% fizeram o primeiro grau. Outra conclusão é a alta co-morbidade psiquiátrica dos dependentes, com até quatro doenças diferentes. A mais comum era a depressão, seguida de fobias sociais, além da dependência à droga.
Segundo Malbergier, todos os pacientes com HIV injetavam cocaína. Entre os que aplicavam anfetaminas, por exemplo, nem todos estavam contaminados. Entre eles, as doenças mais comuns eram a fobia social e agorafobia, medo de lugares públicos. Ambulatório de Drogas Injetáveis: tel. (011) 881-8060.


