São Paulo, 10 (AE) - Quatro vagões incendiados, duas estações depredadas, um prejuízo de pelo menos R$ 3,2 milhões e cerca de 50 mil pessoas sem trens. Esse foi o resultado do quebra- quebra provocado ontem (09) à noite por passageiros da Linha Leste- Variante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), inconformados com o atraso dos trens.
A confusão começou às 20h25, quando um trem que trafegava no sentido Brás-Calmon Viana quebrou pouco depois de sair da Estação Engenheiro Goulart. Inconformados com a paralisação da composição, os passageiros destruíram e atearam fogo em três dos seis vagões do trem.
Quase simultaneamente, um outro trem parou perto da Estação Engenheiro Gualberto. Segundo a CPTM, um grupo de vândalos teria invadido a cabine de controle do trem e acionado o freio automático. Um dos 12 vagões desse trem também acabou incendiado. De acordo com a Assessoria de Imprensa da companhia, esse evento não teve relação com a quebra do trem na Engenheiro Goulart.
Com os dois trens paralisados, os passageiros que aguardavam nas outras estações da linha foram informados do problema. Inconformadas, algumas pessoas passaram a depredar as dependências das estações. A Estação Engenheiro Trindade foi a mais danificada - teve as dependências da chefia e as bilheterias totalmente destruídas. A Estação Engenheiro Gualberto também foi depredada, mas teve danos menores.
Duas pessoas foram presas pela segurança da CPTM, acusadas de depredação do patrimônio público e incitação ao crime. O ajudante geral João Carlos Nogueira Machado, de 21 anos, e o xerocopista Alexandre Bianchi Castilha, de 20, foram levados ao 24.º Distrito Policial, em Ermelino Matarazzo, e liberados após pagar fiança de R$ 250,00 cada um.
Às 16h30, a circulação dos trens foi retomanda entre as Estações Brás e Itaim Paulista, o trecho de maior demanda. As estações depredadas, Engenheiros Trindade e Goulart, porém, permanecem fechadas. A CPTM informou que os passageiros fizeram o trajeto até a Estação Aracaré em 55 ônibus gratuitos. A Linha Leste-Variante, entre as Estações Brás, no centro de São Paulo, e Manuel Feio, em Itaquaquecetuba, permanecia interrompida até o fim da tarde de hoje, sem previsão para reabertura. Nessa linha, os trens só circularam entre quatro estações, de Calmon Viana, em Poá, a Manuel Feio. Atrasos - A depredação de trens e estações da CPTM têm sido uma constante nos últimos anos. Em abril, um trem foi incendiado na Estação Engenheiro Goulart. As depredações também fizeram a companhia retirar de circulação da Linha Leste em novembro os dez trens espanhóis que haviam entrado em operação em setembro. Nesse período, 250 vidros foram quebrados.
Muitos passageiros habituais dos trens da CPTM ficaram indignados hoje ao saber que a linha estava parada. "Normalmente, vou ao trabalho, em Itaquaquecetuba, pegando um trem e um ônibus e gasto R$ 2,00, mas agora vou ter de gastar R$ 3,40 com três ônibus, sem saber a hora que vou chegar", reclamava o encarregado de tecelagem José Augusto Palhares, de 40 anos, ao ler o aviso da paralisação na Estação Engenheiro Gualberto.
Segundo ele, quem depende dos trens da CPTM vive constantemente sob tensão, sem saber se funcionarão. "Entro às 14 horas e saio de casa às 11 horas, porque nunca sei quanto tempo demoro para chegar lá", contou. "Se eu chegar atrasado, vou ser descontado".
O estudante Henrique Ferreira Messias, de 13 anos, também não pôde voltar para casa, em Itaquaquecetuba, hoje de manhã, por causa da linha interrompida. "Vou perder a aula", afirmou. Ele voltaria ao Clube Corinthians, onde havia treinado futebol pela manhã, para pegar uma carona com o pai, que trabalha lá como segurança. "É o único jeito."

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