Foto de Arquivo FolhaMaravilhaNa Bahia, a Chapada Diamantina compõem uma das mais belas paisagens brasileirasUma manifestação reuniu ontem no Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina, cerca de 300 pessoas das cidades baianas de Lençóis, Seabra e Palmeiras, que protestam contra a depredação do santuário ecológico, um chapadão de 300 metros de altura, comprado pelo empresário Washington Setenta. Os ambientalistas propõem a criação de um parque estadual como forma de garantir a proteção do morro, principal referência da região e situado no Km-231 da Rodovia BR-242.
Segundo o jornalista Josias Pires, um dos líderes do movimento, o empresário Setenta não aparece no morro desde sexta-feira, quando o Movimento Ambientalista Barbados, uma associação de organizações não-governamentais que atua na região, denunciou-o ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ele é acusado de ter devastado grande parte da vegetação do morro, onde são encontrados plantas e animais raros e ameaçados, que só existem no local, como o beija-flor da gravata vermelha.
‘‘Ele abriu uma trilha de cinco quilômetros quadrados onde o Jardim Botânico Real da Inglaterra catalogou recentemente 650 espécies diferentes de plantas, algumas delas raríssimas’’, disse Pires. ‘‘E passou a cobrar R$ 3 de cada turista para permitir a passagem ao morro’’.
Além dos moradores da região, agentes de viagem, empresários hoteleiros, guias turísticos e visitantes de diversas partes do País e do exterior participaram da manifestação. Vestindo camisetas nas quais se lia a inscrição ‘‘Pela criação do Parque Estadual do Pai Inácio’’, que inclui ainda o Morro do Camelo e a Serra dos Brejões, os manifestantes subiram o Pai Inácio de mãos dadas.
Segundo a hoteleira Rosa Abade, o ato de desfigurar o morro, retirando toda a vegetação numa larga faixa, revoltou as comunidades da Chapada. ‘‘Não podemos permitir esse crime ecológico’’, disse.
Ação civilSetenta comprou o terreno onde fica o morro por apenas R$ 20 mil, aproveitando a boa-fé do herdeiro das terras, o agricultor Antonio Evangelista. Antes de deixar o morro, com seus dois empregados, ele tirou a corda que delimitava a área devastada e que foi transformada em trilha.

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