Depósitos lavam dinheiro do PCC
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Agência Estado 
Araçatuba, SP - A polícia identificou uma quadrilha comandada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) de dentro da Penitenciária de Valparaíso, a 585 km de São Paulo, e descobriu como os criminosos lavam o dinheiro da venda de entorpecentes. Vinte e duas pessoas foram presas e 25 estão sendo investigadas, acusadas de pertencer ou colaborar com a quadrilha, recebendo depósitos em dinheiro, depois repassados aos chefes do PCC.
A quadrilha, comandada por Márcio Gleiton Pereira, tinha ramificações em Presidente Epitácio e Corumbá (MS), de onde vinha o crack e a cocaína vendidos na região de Presidente Prudente e Araçatuba (SP). Pereira recebia ajuda de quatro detentos do mesmo presídio e de sua namorada, Rosangela Aparecida Correia, a Rose, que morava em Epitácio.
Presa com quase 2 kg de cocaína e crack anteontem, Rose estava também com dezenas de comprovantes de depósitos de pequenas somas em dinheiro (entre R$ 200 e R$ 500) em nome de pessoas aliciadas pela facção, chamadas de soldados. Cada um, de acordo com a polícia, movimentava R$ 12 mil semanais com a venda das drogas. Um dos comprovantes, de R$ 9 mil, estava em nome de Pereira, que segundo a polícia, movimentava mais de R$ 30 mil mensais em sua conta bancária de dentro da cadeia.
Pelo telefone celular, Pereira fazia contato com integrantes da organização e dominava uma forte estrutura hierárquica, o que facilitava o aliciamento de pessoas para o tráfico. ''O PCC está pulverizando o dinheiro em muitas contas para não levantar suspeitas'', explicou o delegado Márcio Domingos Fiorese, de Presidente Epitácio, que iniciou as investigações há quatro meses.
Segundo ele, dessas contas, o dinheiro ia para as contas de chefes dos PCC, cujos nomes não foram divulgados. ''Agora precisamos quebrar o sigilo dessas e de outras 25 contas que receberam o dinheiro do tráfico para saber como o dinheiro chegava aos chefes'', diz.
A polícia chegou à quadrilha depois de interceptar ligações telefônicas e prender seis traficantes no início deste ano.


