Depósitos de lixo nuclear usados por Angra I não apresentam riscos, afirma agência americana14/Mar, 18:48 Por Murilo Fiúza de Melo Rio, 14 (AE) - Relatório premilinar da agência americana Safety, Health e Environmental, contratada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio, obtido pela reportagem da Agência Estado, afirma que os dois depósitos de lixo nuclear - de baixa e média radioatividade - utilizados pela Usina Nuclear de Angra I, em Angra dos Reis, não apresentam riscos ao meio ambiente e à população do município. Há 20 dias, o Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar suposto risco de acidente nuclear, em função da denúncia de que os dois depósitos estão funcionando sem licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A visita aos dois depósitos foi coordenada por Glen Hawkins, funcionário da agência Safety, especializada em fiscalizar usinas nucleares americanas. O laudo saiu na sexta-feira de carnaval. Segundo Hawkins, os depósitos de Angra I estão "bem identificados e protegidos por duas barreiras de segurança, em local isolado e de acesso proibido a estranhos". Hawkins faz apenas uma recomendação à Eletronuclear, operadora da usina: a ampliação da área de estocagem. Hoje, os dois depósitos guardam cerca de 2,1 mil toneladas de lixo radioativo de baixa e média intensidades - como luvas, roupas e filtros. São, no total, 450 tambores contendo lixo. O inquérito do MPF está parado à espera de informações sobre a operação e segurança da usina. "Até a próxima sexta-feira, tanto o Ibama quanto a Eletronuclear ficaram de me enviar as informações", afirmou a procuradora da República Anaiva Oberst Cordovil. Na semana passada, técnicos do Ibama estiveram vistoriando a usina e devem preparar um termo de ajustamento e conduta, ainda sem data para ser anunciado oficialmente. Adequados - "O laudo da Safety mostra apenas que os depósitos são adequados para uso", afirma o secretário de Meio Ambiente, André Corrêa. Segundo ele, porém, a Eletronuclear ainda não respondeu ao seu pedido para que a Agência Internacional de Energia Nuclear, ligada às Nações Unidas, faça uma auditoria em todo o sistema de Angra I. "Esse pedido já foi feito há cerca de um mês e eles ainda não me responderam; agora vou procurar a minha assessoria jurídica para saber que procedimento a secretaria poderá tomar", afirmou. Procurado pela reportagem, o superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luiz Soares, não retornou as ligações. Sua assesoria de Imprensa não soube informar por qual motivo a empresa ainda não respondeu ao pedido do secretário de Meio Ambiente, mas explicou que Angra I é "permanentemente" fiscalizada pela Agência Internacional de Energia Nuclear.

mockup