São Paulo, 22 (AE) - A cal contaminada por dioxina que está em um depósito da empresa Solvay Indupa do Brasil, no ABC, deverá passar por um processo de isolamento para evitar um desastre ambiental. Hoje, representantes da empresa assinaram um termo de compromisso para a realização das obras necessárias em uma reunião com o Ministério Público, técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e o grupo ambientalista Greenpeace. A obra terá de correr contra o tempo.
Apesar de técnicos da Cetesb terem negado nos últimos meses o risco de contaminação do lençol freático próximo ao depósito, hoje, o diretor de controle de poluição ambiental da companhia, Paulo Ferreira, admitiu que uma pequena faixa já está contaminada. "Se as medidas não fossem adotadas, certamente o material chegaria ao Rio Grande", admitiu Ferreira. As águas do rio abastecem a região do ABC. A dioxina, que é cancerígena, provocou grande movimentação na Europa em junho, com a notícia de que a carne de frango e ovos da Bélgica estavam contaminados.
A Solvay mantém mais de 1,2 milhão de toneladas de cal com dioxina em um dique a céu aberto. Em agosto do ano passado, depois da denúncia de contaminação, a venda do produto foi proibida. No acordo de hoje, a Solvay comprometeu-se a isolar totalmente a cal contaminada. Isso será feito por meio de dois processos: confinamento geotécnico e barreira hidráulica. Com eles, o depósito será coberto por uma espécie de manta, que impedirá a dispersão da cal. Para proteger o lençol freático, serão construídos poços. As águas retiradas desses poços serão tratadas e somente depois disso lançadas no ambiente.
"Temos que pensar a longo prazo e, é por isso que o trabalho é tão detalhado", justificou o diretor industrial da Solvay, Rogério Fragale. Segundo ele, a empresa terá quatro meses para preparar o projeto e dois anos para finalizá-lo. "Chegamos a um bom resultado", disse o promotor público José Saikali.

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