Curitiba- ''Comemos o pão que o diabo amassou. Fomos maltratados pela polícia federal americana, perdemos todos os nossos documentos brasileiros e bens pessoais e ainda mudamos de presídio mais de oito vezes. Jamais voltaria'', desabafou Nelson Niebielski, paranaense do município de Reserva (98 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), membro da lista dos 251 brasileiros que voltaram na última quarta-feira ao Brasil depois de serem deportados dos Estados Unidos (EUA) por tentarem entrar ilegalmente no país. Niebielski e mais três paranaenses Antonio de Oliveira, Rubens da Silva e Emerson Martins da Luz chegaram ontem em Curitiba.
Todos os quatro paranaenses foram presos entre as cidades de Nova Laredo (México) e Laredo (EUA) depois de atravessar a nado o Rio Bravo. Oliveira, também de Reserva, conta que ele e Niebielski gastaram pelo menos US$ 5 mil cada um entre passagem, despesas pessoais e o pagamento aos coyotes (homens que ajudam os imigrantes a atravessarem a fronteira). ''Quando a polícia chegou, os coyotes fugiram com nossas malas. Eles já tinham recebido US$ 2 mil dos US$ 3 mil combinados de cada um. Já na polícia, nossos documentos brasileiros foram extraviados. Chegamos a passar até frio e fome'', contou Oliveira.
Oliveira diz que, além de tudo que gastam para ir até o México e atravessar a fronteira e que passam nas mãos da polícia, muitos brasileiros são extorquidos por advogados americanos depois de presos. Segundo ele, os presos procuram um advogado para comandar o processo para tentar baixar o preço da fiança e assim serem soltos nos EUA sob condicional. Porém, muitos desses profissionais cobram fortunas dos imigrantes e somem.
Apesar de todas as dificuldades descritas por Oliveira e Niebielski, o curitibano Rubens da Silva diz que não foi maltratado pela polícia americana e que voltaria ao México para tentar atravessar novamente a fronteira com os EUA. Ele conta que foi junto com um amigo, que ainda não assinou a deportação, para juntar dinheiro. Niebielski contou que foi tentar trabalhar nos EUA para juntar dinheiro para pagar a faculdade de três filhas e Oliveira para conseguir dinheiro para pagar algumas dívidas e se capitalizar.
Na lista de nomes de brasileiros que estavam voltando ao Brasil, divulgada pelo deputado federal João Magno (PT-MG), constava mais um paranaense. Contudo, dez pessoas, segundo a assessoria de Magno, desistiram de embarcar na última hora para tentar baixar o preço da fiança e serem soltos nos EUA. O governo brasileiro não tem informações precisas de quem ficou, mas entre essas dez pessoas pode estar o quinto paranaense, Antonio Geraldo de Moraes Filho.
Apesar do risco de ser pego pela polícia americana e do alto custo da aventura, muitos brasileiros não desistem. Segundo a assessoria do deputado federal, 20 brasileiros que voltaram no primeiro grupo de brasileiros deportados (277 pessoas), que chegou ao Brasil no último dia 28 de janeiro, já foram presos novamente na fronteira entre os EUA e o México. Ainda em março e em abril, mais dois vôos estão programados para trazer mais brasileiros presos nos EUA.

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