O promotor-geral da Colômbia, Alfonso Gómez, anunciou ontem que a deportação (ou expulsão) do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que está preso na Colômbia desde sábado, poderia ocorrer num prazo recorde de 48 horas. Esse prazo, no entanto, já está descartado pelo governo do Brasil. Depois de pedir oficialmente a expulsão do traficante, ao governo brasileiro agora só resta aguardar a decisão, que pode demorar dias, semanas ou mesmo meses. A assessoria do Ministério da Justiça informou que a decisão depende somente da Justiça colombiana.
Beira-Mar encontra-se desde sábado à noite detido em uma cela de máxima segurança nas instalações da Promotoria Geral da Colômbia, em Bogotá. Ele foi preso numa operação chamada ‘‘Gato Negro’, na selva colombiana, próximo às fronteiras de Brasil, Colômbia e Venezuela. O Itamaraty informou que não comentará o caso.
O promotor Gómez previa que a deportação de Beira-Mar se daria logo que ele respondesse aos promotores que o interrogam em Bogotá sobre seus supostos vínculos com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), comprometida em um processo de paz com o governo.
O governo brasileiro quer que o traficante seja expulso da Colômbia para que possa cumprir pena no Brasil, onde está condenado a 30 anos por homicídio e tráfico. O país vizinho tem interesse em mantê-lo preso para esclarecer o envolvimento do movimento guerrilheiro com o tráfico de cocaína.
Há informações de que Beira-Mar teria revelado que pagava cerca de US$ 10 milhões por mês às Farc pela cocaína produzida em território controlado pela guerrilha. Ao ser detido, sábado, Beira-Mar tinha negado ligações com as Farc e dito que estava na Colômbia como criador de gado.
O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, disse ao ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, no encerramento da Cúpula das Américas, no Canadá, domingo, que Beira-Mar seria expulso imediatamente. Ontem, porém, o Ministério das Relações Exteriores local informou o ministro de que, caso tenha cometido crimes na Colômbia, Beira-Mar poderá ser julgado e cumprir pena no país.
O jornal Nuevo Herald, de Miami, informou que os Estados Unidos entraram na disputa pela extradição de Beira-Mar. O criminoso teria revelado durante o primeiro interrogatório, sábado, seu desejo de ser julgado por tribunais norte-americanos. ‘‘Ele disse que preferia ser levado aos Estados Unidos porque, caso volte ao Brasil, terá de delatar meio país’’, disse um oficial da Força Aérea Colombiana.
Com a prisão de Beira-Mar, a Polícia Federal já escolheu o novo inimigo público número um, um narcotraficante de uma favela do Rio, que a cada semana vende 20 quilos de cocaína e fatura US$ 500.000. Rodrigo Barbosa Marinho, vulgo ‘‘Rolinha’’, teria criado uma rede de tráfico de drogas com tentáculos em cinco Estados brasileiros e controla o fornecimento de drogas, armas e munições em vinte grandes favelas do Rio de Janeiro.

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