Depois dos 40, dieta pede alterações
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domingo, 09 de outubro de 2005
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Na infância e adolescência as mudanças no corpo são extremamente dinâmicas e visíveis. Na fase adulta, como as alterações são mais sutis, podem passar despercebidas. Mas não se engane, elas acontecem. E é a partir dos 40 anos que algumas readequações na alimentação vão interferir diretamente no bem-estar e em um envelhecimento mais saudável.
A nutricionista Cristina Tomasetti, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), explica que é comum, por exemplo, as pessoas engordarem depois dos 40, mesmo mantendo a mesma dieta. A explicação está na redução da taxa metabólica do organismo e na diminuição da atividade física.
A taxa metabólica basal, que é o gasto energético do corpo para manter suas principais funções, como a respiração e a renovação de células, se reduz naturalmente. Isso porque, com o envelhecimento não há renovação constante de células, e o organismo funciona mais lentamente. ''Isso já se traduz em uma menor necessidade calórica, mas as pessoas ainda costumam diminuir as atividades físicas e o ritmo de trabalho. Aí, como mantêm a mesma dieta, engordam'', explica.
Outra mudança que vai ficando mais perceptível depois dos 40 é a diminuição da secreção gástrica, o que acontece, entre outros fatores, pelo decréscimo da produção de ácido clorídrico. O resultado é uma maior dificuldade na digestão principalmente de proteínas, e a redução da absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e de cálcio.
O que a nutricionista recomenda é a substituição da carne, em alguns pratos, por leite e ovos, cujas proteínas têm maior digestibilidade. ''Leite e derivados também são fontes de cálcio'', ressalta. Recomenda ainda uma maior ingestão de alimentos ricos em vitaminas lipossolúveis - legumes folhosos verde escuros e frutas amarelas ou alaranjadas, como abóbora, cenoura e mamão, ricos em vitamina A, e cereais integrais e peixes, ricos em vitaminas E e K. Além de caminhadas ao ar livre para propiciar a síntese da vitamina D.
A diminuição da secreção gástrica, explica a nutricionista, faz também com que o PH do estômago fique mais elevado, e isso permite o crescimento de algumas bactérias que antes não cresciam por causa da acidez. O efeito colateral disso é uma incidência maior de flatulência (gases intestinais), que pode ser evitada com uma menor ingestão de alimentos facilmente fermentáveis como doces e os naturalmente formadores de gases, aqueles ricos em enxofre.
Cristina explica que a diminuição da acidez gástrica também afeta a absorção de ferro e da vitamina B12 pelo organismo. A vitamina B12, enfatiza, é um fator importante para a renovação celular, e um baixo consumo dela acelera o envelhecimento. Por isso, fique atento, vísceras, leite e ovos são ricos em vitamina B12.
O envelhecimento do organismo, salienta a nutricionista, propicia ainda a redução do número de papilas gustativas, acarretando a diminuição das sensações de gosto e olfato. O problema é que a maioria das pessoas, para compensar a perda, aumenta o uso de sal, prática perigosa para quem tem hipertensão. ''É importante ficar atento à quantidade de sal nos alimentos. Para realçar o sabor é interessante usar ervas aromáticas'', recomenda.
Já a diminuição da secreção salivar dificulta a mastigação e deglutição dos alimentos. Prejuízo que, segundo a nutricionista, pode ser atenuado com a substituição de alimentos secos, como farofas e frituras, por purês, risotos, suflês e cremes.
Outra recomendação da nutricionista é um bom acompanhamento médico no caso de quem toma medicação para o tratamento de doenças crônicas. ''Muitos medicamentos interagem com os nutrientes, prejudicando suas absorções''.


