Depois do ciclone, malária castiga Moçambique.
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Mike Cohen, da AP 
Maputo, 23 (AE-AP) - O ciclone Eline deixou Moçambique nesta quarta-feira (23), mas as enchentes causadas pelo fenômeno natural e suas consequências continuam castigando o país.
O ataque de milhões de mosquitos, que procuram as águas paradas e disseminam a malária, demonstra que a miséria moçambicana está longe do fim.
Funcionários de grupos de ajuda afirmam que o número de casos de malária - que já representa a maior causa de morte do país - deverá crescer fora de controle, além de prever surtos de cólera e outras doenças.
As dramáticas previsões foram materializadas no hospital de Manhica, cerca de 75 quilômetros ao norte de Maputo, onde 500 pessoas com suspeita de malária formavam uma fila à espera de atendimento. Segundo funcionários do hospital, uma criança morreu em decorrência da doença hoje pela manhã.
"Definitivamente, é um desastre de grande escala", afirmou Marielise Berg-Sonne, uma funcionária da Cruz Vermelha. Segundo ela, cerca de 800.000 pessoas correm o risco de pegar alguma doença relacionada às enchentes.
As enchentes começaram na empobrecida ex-colônia portuguesa há duas semanas, destruindo pontes, estradas, casas, plantações e linhas elétricas.
Grandes áreas nas províncias sulistas de Gaza e Inhambane continuam submersas. Hoje, a ponte que liga a capital Maputo à cidade de Xai-Xai, em Gaza, foi arrastada pelas águas, prejudicando ainda mais o trabalho de ajuda.
Em todo o país, mais de 300.000 pessoas estão privadas de comida e água potável, segundo estimativas das Nações Unidas. Sessenta e sete pessoas morreram e 211.000 perderam suas casas. A população de Moçambique é de 19,3 milhões de habitantes.
O governo moçambicano pediu hoje doações internacionais de emergência no valor de US$ 65 milhões.


