Depois de ser aprovado, pedágio na Marginal começa a ser debatido
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 05 (AE) - Depois de aprovar sem discussão nenhuma, na semana passada, o projeto que autoriza a construção de três novas faixas de tráfego na Marginal do Tietê e a cobrança de pedágio nas vias expressas, vereadores da oposição e governistas decidiram debater o assunto e a Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal deve convocar mais duas audiências públicas para analisar a proposta. Paulo Frange (PTB) e Domingos Dissei (PPB), que integram o bloco da situação, apresentam, respectivamente, substitutivo e emenda ao projeto original.
Frange quer a criação de um Fundo Municipal de Recuperação das Marginais a ser mantido com o percentual do que a Prefeitura receberá em troca da concessão e Dissei quer que os perueiros sejam liberados do pedágio. O projeto do pedágio, criticado por especialistas e pela população, foi debatido hoje pela primeira vez na Câmara. O único técnico que o considerou "admissível" foi o arquiteto e representante do Instituto de Engenharia, Célio Bottura.
"O projeto é admissível, porque, apesar de não ser a melhor solução, está tornando-se factível, uma vez que existe a possibilidade de a iniciativa privada captar os recursos iniciais, administrar e executar a manutenção", afirmou Bottura. Ele alertou, porém, que o texto deve ser aprimorado. Os demais especialistas criticaram a decisão do Executivo de dar prioridade a um projeto que ampliará a capacidade viária da Marginal, por meio da cobrança de pedágios.
A urbanista Raquel Rolnik disse que, desde os anos 30, a visão de engenharia vem sendo privilegiada. "Esse projeto é a exacerbação dessa política, que tem como horizonte o tráfego e a malha viária", afirmou Raquel. "Há várias dúvidas técnicas sobre esse projeto, que nem sequer foi discutido em sua totalidade com os vereadores", afirmou o arquiteto e urbanista Cândido Malta.
O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)
Nélson Maluf El-Hage, refutou as críticas. "Se a visão de engenharia de tráfego tivesse sido privilegiada, a discussão não seria sobre esse problema". Segundo ele, as novas faixas beneficiarão o tráfego e o transporte coletivo. O argumento apresentado é que a melhora do fluxo nas Marginais aumentará a velocidade média nas principais vias da cidade, contribuindo também para o desempenho da frota de ônibus da cidade.
"Acredito que o certo é discutir o que fazer além disso
não debater se devemos ou não ampliar as pistas na Marginal, por onde passam 25% do volume de trânsito da cidade", disse El-Hage. Pagamento - O secretário municipal dos Transportes, Getúlio Hanashiro (PMDB), repetiu que o pedágio não será obrigatório. "Quem quiser pagar, paga, quem não quiser, continuará dispondo das mesmas opções". Hanashiro classificou as críticas como improcedentes e acredita que elas são fruto da falta de informações. O projeto prevê a construção de três faixas de tráfego, a partir do canteiro central existente entre as pistas expressa e local. A expressa terá pedágio. O valor deve ficar em US$ 1,00. Em um ano os pedágios movimentariam cerca de US$ 28 milhões.


