Lima, 14 (AE) - Após cinco dias de muita tensão, a vida dos peruanos começava a voltar à normalidade hoje (14). A fila de bagagens na frente do Hotel Sheraton, no centro de Lima, indicava a etapa final do êxodo dos jornalistas estrangeiros que tinham vindo ao país para cobrir as eleições peruanas. Os limenhos, que havia dois dias temiam a eclosão de uma grande convulsão social, já parecem enfastiados dos temas eleitorais.
Com a definição de que o candidato da Aliança Peru-2000, o presidente Alberto Fujimori, e o opositor, do movimento Peru Possível, Alejandro Toledo, iriam a um segundo turno dissipou os rumores catastróficos da iminência de um Estado de emergência, rebelião militar e revolta popular de consequências imprevisíveis. Desde quarta-feira, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) não divulga nenhum boletim. O principal responsável pela entidade, José Portillo, anunciou que o próximo relatório só será divulgado quando todos os 100% dos votos estiverem apurados.
Mas o resultado com 97,68% dos votos contados, se não é final, pelo menos foi definitivo. Fujimori tem 49,84% dos votos e Toledo, 40,31%, e essas cifras só poderiam ser modificadas em 0 05 ponto porcentual, segundo declaração de Portillo. Nenhum alcançaria, portanto, os 50% dos votos mais 1 necessários para uma vitória no primeiro turno.
"Precisamos tocar a vida, o negócio agora é trabalhar", disse José Mendoza, motorista de táxi e um dos poucos limenhos dispostos a declarar que votou em Fujimori. "Não gosto da soberba de Toledo." Depois da campanha maratônica, os dois candidatos classificados para o segundo turno também diminuiram o ritmo de trabalho. O Peru-2000 chegou a marcar uma manifestação na frente do palácio do governo para a noite de quinta-feira. Mas acabou transferindo o ato para domingo. Desavisados, cerca de 50 fujimoristas concentraram-se na Praça Mayor. Depois de algum tempo, no entanto, se dispersaram.
Toledo também encerrou-se em sua casa, no distrito de Camacho, em Lima, onde depois de receber alguns empresários se preparava para viajar a Arequipa.
Ainda na noite de quinta-feira, um grupo de artistas plásticos representaram uma performance na qual se realizou o "enterro simbólico do Onpe". Ao som de tambores incas e escoltados por malabaristas e bailarinos folclóricos, os manifestantes depositaram um caixão nas escadarias do palácio da Justiça.

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