Depois de cesariana, médicos fazem diagnóstico de gravidez psicológica no RJ
Depois de cesariana, médicos fazem diagnóstico de gravidez psicológica no RJ13/Mar, 17:16 Por Roberta Pennafort, especial para a AE Rio, 13 (AE) - Uma gravidez virou caso de polícia em São Gonçalo, no Grande Rio. Viciralda de Andrade, de 18 anos, foi internada na sexta-feira (10) dizendo estar prestes a dar à luz. Submetida a uma cesariana de emergência, ela ainda não conheceu o filho: depois da operação, os médicos diagnosticaram gravidez psicológica. A direção do hospital informou que Viciralda falsificou exames de ultra-sonografia. O caso foi parar na 72ª Delegacia Policial e no Conselho Regional de Medicina (Cremerj). O marido de Viciralda, João Alberto Encrenazi, de 32 anos, contou que a mulher fez pré-natal no posto de saúde Paulo Marques Rangel, e que o feto tinha 40 semanas. Já a diretora do Hospital Municipal Doutor Luiz Palmier, Ana Cristina Duarte, onde foi feita a cirurgia, afirmou que, ao ser iniciada a cesariana foi constatada a ausência de feto. A cirurgia foi feita pela equipe da obstetra plantonista Ana Cristina Foraim. A médica foi afastada por tempo indeterminado para que seja feita uma sindicância interna. Encrenazi deu queixa de ocultação de cadáver, pois segundo a mãe da paciente, Maria Isabel da Silva, a família foi informada pelo hospital de que o bebê nascera morto. "Não estamos entendendo nada, ela ficou grávida em julho de 1999 e depois cresceu a barriga", disse Maria Isabel. "Como agora podem dizer que ela fingiu todo esse tempo?", indagou a irmã da paciente, Vicenilda de Andrade, de 16 anos. Ela afirmou que as ultra-sonografias indicavam que a irmã teria uma menina. Viciralda continua internada e deve ter alta amanhã (14). Exames - A diretora do hospital disse que Viciralda deu entrada no hospital com quadro clínico semelhante a de uma gestante em início de trabalho de parto. "Isso é normal num caso de gravidez psicológica: a mullher crê que espera um filho e desenvolve barriga e produz leite", explicou Ana Cristina Duarte. "Não tínhamos como desconfiar que ela mentira, porque, além dos sintomas, ela apresentou os exames, que depois constatamos ser falsos." A diretora contou que Viciralda afirmou ter perdido os originais dos testes, apresentando fotocópias rasgadas e coladas com fita adesiva, que teriam sido feitas em um laboratório particular conveniado com a rede municipal. Outros quatro testes feitos no mesmo lugar mas apresentados só hoje pela família de Viciralda, teriam tido resultado negativo para gravidez. De acordo com informações do hospital, a obstetra recomendou uma cesariana de emergência porque Viciralda reclamava de fortes dores na região abdominal e de muita movimentação do suposto feto. Ao ser informada de que nenhum bebê foi encontrado, ela não teria demonstrado qualquer surpresa segundo a psicóloga que a assistiu. Comprovada a gravidez psicológica, a obstetra Ana Cristina Duarte pode ser indiciada por lesão corporal, por ter feito a cesariana. Segundo a diretora, a médica é experiente (trabalha há oito anos na rede pública e há quatro no hospital) e sempre demonstrou ser competente. O Cremerj informou que vai apurar o caso.





