Santos, SP, 01 (AE) - O carnaval santista, que é considerado o segundo melhor do Estado, volta a ter um rei à altura de sua tradição. Ele tem 80 anos, é protético e trabalha diariamente para sustentar a família. A folia está no "sangue" de Waldemar Esteves da Cunha e é por isso que, após 42 anos consecutivos de reinado (1949 a 1991), mais nove afastado da Passarela do Samba Drauzio da Cruz, ele retoma o papel de Momo, o mais antigo do País, para brilhar no carnaval em Santos.
"Já estou reinando há alguns dias e estou muito feliz"
disse. De acordo com Cunha, quando deixou o trono pesava 125 quilos, mas hoje está com 95. "Fui definhando por causa da saudade do carnaval", afirmou. "Além disso, deixando de ser rei, mudei meu modo de vida, indo e vindo do trabalho para casa". Para ele, o convite foi uma surpresa e uma honra. "O prefeito disse que queria me homenagear e por isso já estou na ativa". Cunha faz questão de estender a homenagem aos companheiros do passado, alguns já mortos. "Tenho certeza de que eles estão lá em cima, batendo palmas para mim".
Apesar da idade, o Rei Momo tem aguentado firme o calendário de atividades que só termina na Quarta-Feira de Cinzas. A programação inclui visitas às escolas de samba, bailes carnavalescos, desfiles de bandas e escolas. "Ando sempre acompanhado por duas mulatas bacanas", argumentou Cunha, que começou no carnaval aos 14 anos. "O que mais posso querer?"