Depois de 13 assaltos, comerciante fecha loja e decide mudar de SP
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terça-feira, 11 de abril de 2000
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 12 (AE) - Depois de 13 assaltos a sua loja, em um período de apenas três anos - nove só durante 1998 -, a comerciante paulistana Carminha Brunelli, de 43 anos, decidiu: vai fechar a casa, especializada em moda jovem, sexta-feira. "Não aguento mais", desabafa. O último assalto foi no sábado, por volta do meio-dia. "Seis ou oito homens, não sabemos ao certo, levaram praticamente todas as mercadorias", diz. O que restou, ela pretende vender até sexta.
Na fachada da loja, na Rua Fernandes Moreira, na Granja Julieta, na zona sul, uma faixa avisa: "Após 13 assaltos tudo com 50% de desconto para encerramento das atividades". Carminha
entretanto, já encomendou outra, com texto semelhante, endereçada especialmente ao secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi. Desrespeito - A comerciante afirma que não adiantou nem mesmo instalar câmaras de vídeo para identificar criminosos. "Eles sempre arrancam os fios antes do assalto". Atualmente, Carminha tem dois funcionários: um vendedor e um segurança, que foi ameaçado de morte pelos ladrões no sábado.
Desiludidos, Carminha e o marido, o representante comercial José Antonio Gamallo Castro, nem sequer registraram o boletim de ocorrência do último assalto. "Fui tratada com tanta negligência e desrespeito na delegacia, após o penúltimo roubo, que não quis me expor a isso novamente".
Segundo a comerciante, a escrevente policial irritou-se quando ela, nervosa, não conseguia se lembrar do número do CGC da empresa. "Ela dizia aos colegas: Como pode ser proprietária e não saber isso?"
Castro, o filho, hoje com 11 anos, seu pai e sua mãe, de 76 e 73 anos, já foram até feitos reféns dentro do estabelecimento, no ano passado. A prioridade da família agora é mudar-se de São Paulo. "Coincidentemente, no sábado, pouco antes do assalto, eu e meu marido conversávamos sobre a possibilidade de comprarmos uma casa em Ibiúna ou outra cidade fora da capital", afirma Carminha. Em poucas horas, o que era idéia virou projeto. "Queremos sair de São Paulo o quanto antes".


