Depois da paz, guerra entre exército e força aérea
Washington, 22 (AE-ANSA) - As lições que ofereceram a guerra por Kosovo provocaram uma dura polêmica no Pentágono entre o Exército e a Força Aérea a respeito da futura política militar americana.
Os chefes da Força Aérea reivindicam os méritos pela vitória e querem cobrá-los, mas os generais do Exército sustentam que o conflito de Kosovo não deve inspirar as novas linhas da política militar americana.
Depois de uma campanha militar quase totalmente aérea, a aviação quer que o Pentágono peça ao Congresso mais dinheiro para poder reforçar-se.
Os comandantes da Força Aérea sublinham que os arsenais de bombas "inteligentes" ficaram quase vazios depois de cerca de três meses de bombardeios.
Afirmam também que são necessários novos aviões de combate capazes de eludir sistemas de radar cada vez mais sofisticados.
"Com esta guerra ocorreu algo verdadeiramente novo e não refletir isto seria prejudicial", segundo o coronel Phil Meilinger, da Força Aérea, que é professor na Academia Naval de guerra.
Para Meilinger, Kosovo demostrou que com uma "escalada" de ataques aéreos se pode ganhar uma guerra "jogando por terra os parâmetros da velha doutrina militar", e consequentemente a estrutura dos gastos destinados à Defesa.
Na outra frente, o Exército minimiza o papel da aviação e tenta convencer o Congresso americano de que a guerra por Kosovo é um caso único e que o compromisso em países como a Coréia confirma a necessidade de se manter um forte exército terrestre.
"Devemos ter uma força militar de amplo espectro: não podemos certamente redesenhar automaticamente a defesa depois de cada campanha militar", advertiu o general Dennis Reimer.
Por seu lado, seus colegas, segundo o Washington Post, tratarão de convencer a administração Clinton de que sem a ajuda do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) teria sido difícil limitar-se à campanha aérea.
"Devemos admitir que o ELK atuou como um tipo de substituto da força terrestre", disse um general ao Post, sempre muito alerta para o que se passa no Pentágono.
Desde o fim da Guerra Fria, o Exército americano "enxugou" cerca de um terço de seus efetivos, contando agora com 480.000 soldados.
Seus comandantes não pedem por mais homens, mas sim poder redesenhar a estrutura da força de forma mais ágil.
As dimensões de cada divisão foram reduzidas de 18.000 para 15.700 efetivos.
Depois de Kosovo, o Exército quer dar vida a pequenas unidades de intervenção rápida, capazes de envolverem-se em conflitos regionais que requerem corpos especializados. Em suma, da próxima vez querem ser protagonistas.





