Campinas,SP, 7 (AE)- A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) ameaça demitir pelo menos 600 dos 4,1 mil trabalhadores que atuam no sistema. A medida foi anunciada hoje pelo presidente da entidade, Armando Damaceno, depois que a Justiça do Trabalho determinou a manutenção de benefícios que os empresários pretendiam cortar. O anúncio do corte motivou uma greve que paralisou totalmente a categoria e deixou 300 mil pessoas sem transporte ontem.
"Se houver demissões, vamos parar outra vez", reagiu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Campinas e Região, Mário de Oliveira Santana. A categoria decidiu suspender a greve ontem, depois da liminar que obriga as empresas a manter o pagamento de vale refeição, convênio médico e cestas básicas. Segundo ele, o corte nesses benefícios resultaria numa redução de até 40% nos salários dos trabalhadores.
O presidente da Transurc disse que a suspensão dos benefícios resultaria numa economia mensal de R$ 1 milhão para as seis permissionárias que operam o sistema na cidade. Segundo ele, atualmente as empresas registram um prejuízo mensal de R$ 1 4 milhão. Os empresários alegam que a entrada em operação das peruas que trabalham com lotação afetou a demanda de passageiros que antes dependiam apenas dos ônibus.
Caso as empresas decidam levar adiante a decisão de demitir em massa, os cobradores deverão ser os maiores prejudicados. Damaceno já anunciou que vai pressionar a prefeitura para eliminar essa função.
"Não faz sentido mantermos os cobradores se já dispomos do sistema de bilhetagem eletrônica", disse. Para extinguir o cargo, será necessário alterar a lei municipal que regulamenta a bilhetagem eletrônica. A lei proíbe a demissão de cobradores.

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