Depoimentos se estendem pela noite em Recife
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 04 (AE) - A CPI ainda iria ouvir, hoje à noite, três presidiários. Welington Joaquim de Souza, que foi preso pela Polícia Federal, no ano passado, por ter saído do presídio Aníbal Bruno, depois de uma visita, com 200 gramas de cocaína; Alberto Jorge de Souza, suspeito de ter ligação com o narcotráfico da região Norte; e Simone Maranguape, presa no Aeroporto dos Guararapes, quando tentava embarcar para a Costa do Marfim com cocaína escondida na roupa íntima.
Pela manhã, foi ouvido o diretor do Presídio Aníbal Bruno, major Evandro Carvalho. Os integrantes da CPI questionaram fugas ocorridas - especialmente a do traficante colombiano Héctor Alírio Sanches - e a suspeita de o local ter se transformado em ponto de venda de droga.
Carvalho confirmou a suspeita de a fuga do colombiano ter sido facilitada por policiais da guarda e admitiu a existência de problema de drogas no presídio. Afirmou ser muito difícil fazer um controle já que o presídio tem 2.800 presos quando a capacidade é de 524. Num dia de domingo, exemplificou ele, o presídio chega a receber 4 mil visitantes, abrigando quase 7 mil pessoas. O diretor disse que para uma grande operação de varredura dentro do Aníbal Bruno, que tem 12 pavilhões, seriam necessários pelo menos 500 policiais.
O vice-presidente da CPI, deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) recebeu hoje ameaça de morte pelo telefone. A ligação foi atendida por um assessor seu, no escritório do Recife. Ferro já recebeu ameaça de explosão de uma bomba no seu escritório em Brasília. "Praticamente todos os integrantes da CPI foram ameaçados de forma anônima, mas isso não nos fará parar os trabalhos", minimizou ele.


